Este Blog retratará o descaso com a Defesa Civil no Brasil; a falta de políticas específicas; o sucateamento dos Corpos de Bombeiros; os salários baixos; a legislação ambiental benevolente; a negligência na fiscalização; os desvios de donativos e recursos; os saques; a corrupção; a improbidade; o crime organizado e a inoperância dos instrumentos de prevenção, controle e contenção. Resta o sofrimento das comunidades atingidas, a solidariedade consciente e o heroísmo daqueles que arriscam a vida e suportam salários miseráveis e péssimas condições de trabalho no enfrentamento das calamidades e sinistros que assolam o povo brasileiro.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

FOGO EM PARQUE


Incêndio se espalha por mata castigada pelo calor. Volume de chuva hoje pode chegar a 20 milímetros em alguns pontos do RS - ZERO HORA 12/01/2012

O mato ressecado pela falta de chuva pode ter contribuído para a propagação de um incêndio que atingiu a Ilha das Flores, área do Parque Estadual Delta do Jacuí, em Porto Alegre, na tarde de ontem. Na avaliação dos bombeiros, o vento ajudou a alastrar as chamas, iniciadas perto da rodovia Porto Alegre-Eldorado do Sul (BR-290), por 18 hectares de mata.

O incêndio atingiu uma área equivalente à metade do Parque da Redenção, na Capital. Segundo o capitão do Corpo de Bombeiros da Capital Eduardo Zaniol, o fogo pode ter começado enquanto uma pessoa queimava lixo no local, por volta de 16h. As chamas foram controladas depois das 20h:

– O calor e a vegetação seca com certeza contribuem. Como tem muita casa aqui perto, é muito comum as pessoas juntarem e queimarem lixo. É o mais provável – avaliou Zaniol.

QUESTÃO DE SEGURANÇA


EDITORIAL ZERO HORA 12/01/2012


Por mais que o tom da polêmica entre o prefeito da Capital, de um lado, e o Ministério Público e o Judiciário, de outro, seja emocional, o fato tem pelo menos uma vantagem: a de alertar para a pouca preocupação de órgãos públicos de maneira geral com a questão da segurança de quem frequenta prédios que não obedecem a normas mínimas de prevenção e proteção contra incêndios. A origem dos desentendimentos é uma ação do Ministério Público, acolhida pela Justiça, que questionava as condições da Usina do Gasômetro e do barracão das associações carnavalescas no sambódromo.

A interdição dos locais desencadeou uma reação por parte da prefeitura, que se sentiu discriminada pelo MP e pelo Judiciário. De acordo com o prefeito José Fortunati, muitos prédios de órgãos públicos estaduais, do MP e da Justiça, além da Assembleia Legislativa, também deveriam ser interditados, por não cumprirem as normas de segurança. Ao insinuar que outros locais públicos deveriam receber o mesmo tratamento dispensado às duas instalações municipais, com prejuízos para o Réveillon programado pela prefeitura no Gasômetro e para os desfiles do Carnaval, o prefeito acabou chamando a atenção para o descaso com os frequentadores dos endereços citados. Para a população, ficou a impressão de que as autoridades somente se preocupam com prevenção contra incêndios quando as medidas são forçadas por decisões da Justiça e provocam confrontos políticos.

Esta deveria ser uma preocupação permanente, não só em relação a prédios do setor público e tampouco com ações limitadas ao combate do risco de incêndio. Há outras ameaças e um sentimento generalizado de que os órgãos fiscalizadores agem muito mais na tentativa de reparação de danos do que na prevenção. São exemplos de omissão alguns prédios históricos completamente degradados, com partes que ameaçam ruir no centro de Porto Alegre. O município alega que a manutenção dos prédios é de responsabilidade dos proprietários, mesmo que estes sejam parte do patrimônio histórico. A alegação não exime a área de fiscalização de suas atribuições. Assim como o debate em torno das recentes interdições não pode ser encerrado sem o encaminhamento de soluções, como se tudo se resolvesse numa declaração de trégua.

TRAGÉDIA ANUNCIADA

BEATRIZ FAGUNDES, REDE PAMPA, O SUL
Porto Alegre, Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012.


É difícil aceitar passivamente as mesmas "velhas e surradas" soluções quando até os seixos de nossos rios poluídos e agonizantes sabiam, desde há muito, que um dia viveríamos o estado de calamidade que hoje assola o Rio Grande.

O inevitável aconteceu: estamos com nossos rios morrendo em uma versão esquizofrênica do livro "Crônica de uma Morte Anunciada", de Gabriel García Márques. A vida imita a arte. Imita para aumentar o profundo estado de revolta que toma conta daqueles que sempre anunciaram que a tragédia que hoje nos visita era previsível. É difícil aceitar passivamente as mesmas "velhas e surradas" soluções, quando até os seixos de nossos rios poluídos e agonizantes sabiam, desde há muito, que um dia viveríamos o estado de calamidade que hoje assola o Rio Grande. Dizem que a seca já afeta mais de 1 milhão de gaúchos. Mentira! Afeta todos os 10 milhões de gaúchos que já sofrem no bolso as consequências com os também previsíveis aumentos de preços na cadeia de produção. Sem contar com a inexorável decisão de várias prefeituras de decretarem racionamento na distribuição de água potável com hora programada. Há pelo menos uma década, se fala abertamente que estamos vivendo um ciclo de mudanças climáticas. Os fenômenos El Ninho e La Ninha, que já viraram figurinhas sinistras e carimbadas nesta parte do planeta, são apontados como os responsáveis pela tragédia anunciada. Os primeiros alertas de iminente crise hídrica nos nossos mananciais, divulgados pelos até ontem desprezados "ecochatos", foram ouvidos ainda na década de 1970. Foram ridicularizados e achincalhados pelos "ecoloucos", que hoje fazem coro com os lamentos de todos. Não levaram a sério e hoje, sem sequer um mea culpa, o que se ouve é a mesma churumela de buscar recursos federais.

Moeda, grana, dinheiro vivo não resolvem, em curto prazo, a desesperada situação dos nossos rios. É inacreditável que 20 milhões de reais disponibilizados pela União, no ano passado, tenham sido ignorados. Amanhã, no auge da crise, ou será que ainda não chegamos ao fundo do poço, o ministro Bezerra vem ao Estado anunciar mais uma vez a mesma verba: 5 milhões de reais devem ser empregados em custeio e 13 milhões de reais para financiar a perfuração de poços artesianos. Meu Deus! Porque não perfuraram preventivamente os tais poços? E a situação dos agricultores endividados junto aos bancos? Como vão dormir em paz com os executores das dividas de braços cruzados em frente aos portões das propriedades aguardando o momento de confiscarem suas terras e seus bens por inadimplência? Não é sério. É desumano. Tivemos um anúncio, segundo o qual, o governo poderia contratar os serviços de uma empresa nacional que desenvolveu tecnologia para provocar chuva artificial. Logo houve o desmentido. Existe uma parcela dos técnicos que não acreditam na eficiência do método, já utilizado pelos governos de São Paulo e Santa Catarina. É de se supor que o governo gaúcho não quer pagar um "mico" se o plano não der certo. Vai fazer como todos os outros governos fizeram: muitas reuniões de emergências, equipes vão sobrevoar as áreas devastadas pela seca e anunciar que a grana está sendo disputada em Brasília para enfrentar a velha seca no RS. O mesmo de sempre.

Falta ousadia, atitude e determinação. Porque não arriscar e pagar um "mico" por ter, ao menos, tentado uma solução desesperada? Claro o governo não paga "mico" e nós pagamos um "orangotango" sem água nas torneiras, além de pagar, sem direito a queixas, muito mais caro pelos produtos hortifrutigranjeiros indispensáveis em nossa mesa. Para variar, somos reféns. Nos gabinetes, a prova de "micos", centenas de engravatados desfilam em torno de mesas com muitos projetos e documentários, água mineral e ar condicionado, enquanto os produtores choram baixinho assistindo indefesos a falta de coragem em ousar buscar uma solução que ninguém até hoje ao menos tentou. Para que precisamos mudar o administrador a cada quatro anos se todos apresentam as mesmas soluções diante de problemas iguais. É lamentável!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

DESPREPARO GENERALIZADO

PÁGINA 10 | LETÍCIA DUARTE (Interina)- ZERO HORA 11/01/2012

Ainda que pouco diplomática, a reação do prefeito José Fortunati às interdições da Usina do Gasômetro e do Complexo Cultural do Porto Seco acabou prestando um serviço de utilidade pública, ao questionar a situação dos prédios públicos do Estado em relação a normas de segurança.

Com a divulgação da existência de uma lista informal formada por pelo menos 40 imóveis que também estariam com o Plano de Prevenção e Proteção contra Incêndio (PPCI) vencido, incluindo propriedades do governo estadual, da Assembleia Legislativa, do Judiciário e do Ministério Público, Fortunati apontou a dificuldade dos poderes gaúchos em cumprir leis que exigem dos outros.

Se, por um lado, isto revela um descaso coletivo com a prevenção, por outro, não pode ser utilizado como desculpa para o problema. Seria no mínimo incoerente justificar uma falha com o argumento de que outros também a cometeram, como se nada precisasse ser feito porque ninguém faz. Por isso, o argumento de “perseguição política” contra a prefeitura de Porto Alegre também se mostra inadequado.

Superando as disputas políticas e as vaidades pessoais que movem as relações de poder, ainda mais às vésperas de uma eleição, o caso precisa servir de alerta. Se os poderes públicos não dão exemplo na tomada de medidas de prevenção, que legitimidade têm para cobrar dos cidadãos o cumprimento das leis?

Também é o momento para os poderes virem a público para responder às perguntas suscitadas. Existe realmente negligência? Se há, por que os prazos e as medidas exigidas estão sendo desrespeitados? Qual o risco real que estes imóveis oferecem?

Não se pode esperar uma tragédia para agir. Muito menos para apresentar explicações.

PPCI - AÇÃO DO MP OPÕE PROMOTOR E PREFEITO

DIPLOMACIA ABALADA. Ação do Ministério Público opõe promotor e prefeito - ZERO HORA 11/01/2012

As declarações do prefeito José Fortunati atingiram diretamente o Ministério Público Estadual. O prefeito e candidato à reeleição sugere que a instituição estaria atuando de forma mais dura em relação à prefeitura da Capital.

A cúpula do MP indicou o coordenador do Gabinete de Gestão Integrada do órgão, Jayme Weingartner Neto, para responder às declarações de Fortunati.

O promotor nega que haja tratamento diferenciado com a prefeitura e diz que o Ministério Público seguirá exigindo providências se encontrar irregularidades em outros prédios públicos.

Segundo Weingartner, todos os 152 prédios do MP têm Plano de Prevenção.

“Parece que somos os únicos que não cumprimos a lei”. José Fortunati, Prefeito de Porto Alegre

ZH– Qual o motivo da sua indignação neste episódio?

Fortunati – A minha indignação é porque quero ter o mesmo tratamento dos outros. Só quero igualdade de tratamento. Colocar em risco o Réveillon e o Carnaval de Porto Alegre cheira a algo muito forte. É um tratamento diferenciado.

ZH – As interdições têm interesses políticos?

Fortunati – Não acredito que seja uma questão política. O pessoal quer pegar alguma coisa para tornar modelo, mas isso imputa à prefeitura de Porto Alegre uma responsabilidade que não é só dela. Parece que somos os únicos que não cumprimos a lei. Eles que usem exemplos também do Executivo e do Legislativo estadual, do Judiciário e do Ministério Público.

ZH – Por que o senhor resolveu divulgar a lista dos prédios sem PPCI no primeiro dia de férias?

Fortunati – Recebi a relação ontem (segunda-feira). Fiquei perplexo quando recebi essa relação. Não imaginava que ela fosse tão abrangente. E a minha perplexidade se tornou indignação. Fiquei revoltado. Tentaram impedir o Réveillon. Chegaram a sugerir a transferência do Carnaval.

ZH – O MP diz que agiu porque a prefeitura, por intermédio da Smov, não fez as fiscalizações e interdições devidas.

Fortunati – Enquanto um projeto tramita para autorizar a construção de um prédio, a Smov fiscaliza. O habite-se só é liberado se tudo estiver de acordo com as normas. Depois do habite-se, a fiscalização passa para o Corpo de Bombeiros. Existe um convênio assinado desde 2000 que repassa isso aos bombeiros. Não é por nada que quem fiscalizou o Gasômetro e o Porto Seco foi o Corpo de Bombeiros.

ZH – O MP justifica que iniciou a fiscalização pelo Gasômetro e pelo Porto Seco devido à proximidade do Réveillon e do Carnaval, que reúnem milhares de pessoas.

Fortunati – Imagina quantas pessoas trabalham e transitam pelo Foro Central? É um formigueiro humano. E no Centro Administrativo? Aposto que nos dois casos o fluxo é superior ao da Usina do Gasômetro. Este é o tratamento diferenciado. Este argumento eu não aceito. Citei dois lugares que têm maior movimento e de forma permanente.

“O MP só atua porque o município não está atuando”. Jayme Weingartner Neto, Promotor de Justiça

ZH – O prefeito afirma estar sofrendo perseguição do MP por conta das interdições. Como o senhor responde?

Weingartner – É compreensível a angústia do prefeito em regularizar o Gasômetro e o Porto Seco. Mas o MP só atua porque o município não está atuando. O município é que deveria tomar as providências. O primeiro responsável é o Poder Executivo. A Smov (Secretaria Municipal de Obras e Viação) deveria interditar os locais que não estão adequados.

ZH – Se existem outros prédios irregulares, qual a argumentação para começar as interdições por dois imóveis da prefeitura?

Weingartner – A agenda se construiu a partir das prioridades de final de ano, considerando que nos dois locais estavam previstos eventos de grande porte, com aglomeração de milhares de pessoas. Pela lógica, se começa pelos locais onde há milhares de pessoas e em situação de manejo muito mais difícil.

ZH – O mesmo encaminhamento será feito caso prédios do Judiciário e do Executivo ou do Legislativo estadual apresentem irregularidades?

Weingartner – O MP jamais atuaria de forma diversa porque é prefeitura ou governo. A atuação é normal, faz parte da nossa atribuição constitucional. O MP, uma vez que souber de irregularidades, lacunas ou riscos, vai tomar as providências devidas. Primeiro buscando um cronograma de ajuste. Quando não há consenso, se leva ao Judiciário.

ZH – Foi feita a tentativa de estabelecer um cronograma de ajuste com a prefeitura antes do pedido de interdição?

Weingartner – Desde a metade de 2011, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público recomendou que fossem tomadas as providências para a adequação. Foi dado um prazo de 60 dias, mas nada foi feito. Para evitar o choro pelo leite derramado, se fez isso.

ZH – O Corpo de Bombeiros nega que tenha provocado o MP para pedir a interdição.

Weingartner – Nesse expediente, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público estava avaliando casos de licitações e, no bojo das informações, se ficou sabendo que não havia regularização em relação às providências que deveriam ter sido tomadas.

Entenda o motivo da polêmica

O QUE É O PPCI - O Plano de Prevenção e Proteção contra Incêndio é um conjunto de medidas exigido para todos os prédios com instalações comerciais, industriais, de diversões públicas e edifícios residenciais com mais de uma família e mais de um pavimento.

QUEM FISCALIZA - A Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov) fiscaliza a estrutura das edificações (alvenaria, distâncias, saídas de emergência) e emite o Laudo de Proteção Contra Incêndio. A partir dessas informações, os bombeiros fiscalizam o PPCI e sua compatibilidade com as características da edificação, descritas no laudo da Smov.

COMO FAZER O PPCI - O responsável técnico (engenheiro ou arquiteto) apresenta o plano aos bombeiros. Se o projeto estiver de acordo com as exigências legais, os bombeiros emitem um certificado de conformidade. Caso contrário, emitem notificação para que o sistema seja corrigido.

A COMPLEXIDADE - Os equipamentos necessários são proporcionais ao grau de risco do local. A lei estabelece o grau de risco das edificações pelas suas características: um hotel tem grau de risco 4 (baixo), um depósito de combustível, risco 12 (alto).

A IMPLEMENTAÇÃO - Com o certificado de conformidade, instala-se os sistemas de prevenção (extintores, iluminação de emergência, sistema hidráulico etc.) e pede-se a inspeção. Os bombeiros fazem o exame final e emitem o Alvará de Proteção Contra Incêndio. A renovação é anual para prédios de risco alto e médio e bianual para os de risco baixo.

INADEQUAÇÃO - É emitida advertência com prazo para regularização da segurança contra incêndios. O não cumprimento acarreta multa, cumulativa caso as instalações sigam inadequadas. Em última instância (ou em prédios que ofereçam risco aos usuários ou transeuntes), é feita a interdição.

Fonte: Fonte: capitão Eduardo Zaniol, chefe da seção de prevenção contra incêndio do 1º Comando Regional de Bombeiros.

PREVENÇÃO DEFICIENTE - PPCI FAZ PREFEITO EXPOR ÓRGÃOS ESTADUAIS


FOGO NA DIPLOMACIA. Declarações de Fortunati expõem órgãos estaduais. Prefeito afirma ter uma pesquisa informal que mostra deficiências públicas no combate a incêndios - ZERO HORA, 11/01/2012

No seu primeiro dia de férias, o prefeito José Fortunati (PDT) abdicou da tentação de calçar chinelos e curtir a beira da praia de Tramandaí para se entrincheirar em uma luta contra o Ministério Público Estadual e o Judiciário. Sentindo-se perseguido por conta das recentes interdições da Usina do Gasômetro e do Complexo Cultural do Porto Seco às vésperas de grandes eventos, Fortunati investiu contra os dois poderes ao acusá-los de tratar a prefeitura da Capital com “rigor excessivo”, provocando um abalo entre instituições.

A origem da controvérsia está no descumprimento do Plano de Prevenção e Proteção contra Incêndio (PPCI), o que motivou ações do MP e da Justiça pela interdição das duas áreas. Contrariado, Fortunati foi atrás de uma pesquisa para saber se outros prédios públicos de Porto Alegre estavam cumprindo rigorosamente os ditames para a prevenção de incêndios.

Uma lista informal, obtida por ele na segunda-feira por meio de contatos pessoais, conforme revelou o próprio prefeito, teria confirmado que mais de 40 edifícios, incluindo alguns do governo estadual, Assembleia Legislativa, Judiciário e MP, estariam com o PPCI vencido. Foi o suficiente para enfurecer Fortunati, que resolveu externar publicamente a sua revolta em entrevista à Rádio Gaúcha ontem.

O motivo maior da fúria está vinculado ao fato de que as interdições “ameaçaram” a realização de dois eventos da Capital. O fechamento temporário dos imóveis foi divulgado pelo Tribunal de Justiça no dia 14 de dezembro. A festa do Réveillon, no Gasômetro, chegou a ficar sob risco de cancelamento. Foram alegados problemas em uma bomba d’água e nas portas corta-fogo. No Porto Seco, que recebe os desfiles de Carnaval, os problemas detectados foram múltiplos: necessidade de reposições de hidrantes, mangueiras, extintores e construção de cortinas de concreto que impeçam o fogo de se alastrar de um barracão para outro pelo telhado.

Desembargador rebate críticas de prefeito

A reação do prefeito deixou os chefes de outros poderes em uma saia justa. Eles precisaram explicar se prédios como o Piratini e a Assembleia estavam sem o PPCI.

– No que diz respeito ao Piratini, posso assegurar que a situação já está encaminhada. Já adquirimos extintores e há uma engenheira com o nosso projeto pronto – disse o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana.

No mesmo dia em que o prefeito atacou as interdições, o Judiciário resolveu revertê-las. O juiz Carlos Tomasi Diniz, da 5ª Vara da Fazenda Pública, revogou a interdição do Gasômetro por considerar que o alvará de prevenção contra incêndio foi emitido pelos bombeiros no dia 6 de janeiro. Ele autorizou a remoção dos lacres do prédio da Associação das Entidades Carnavalescas, no Porto Seco. Agora, a prefeitura está autorizada a fazer as obras de adequação no local. Está faltando a instalação de placas luminosas indicando saída de emergência.

– Já ajustamos 14 dos 15 barracões – explicou o secretário municipal da Cultura, Sergius Gonzaga.

O Judiciário nega que a queixa de Fortunati tenha causado o recuo nas interdições.

– Não há nenhuma relação. Foi levantado porque o juiz entendeu assim – afirmou o desembargador Túlio Martins, presidente do conselho de comunicação do TJ.

Ele afirmou que os prédios do TJ têm tecnologia de ponta no combate à incêndios, rebateu as críticas do prefeito e negou excesso de rigor:

– Fortunati se formou comigo. Ele sabe muito bem que o Judiciário só age quando provocado. Foi tomada uma decisão no interesse da segurança das pessoas. Na dúvida, a juíza optou por não expor a população.

A LISTA DO PREFEITO: A relação dos 10 prédios públicos que não teriam Plano de Prevenção e Proteção contra Incêndio (PPCI) e alvará. Todos localizados em Porto Alegre, eles foram citados pelo prefeito José Fortunati, em entrevista a Zero Hora. No total, mais de 40 edifícios estariam em situação irregular, segundo o prefeito.

- Tribunal de Justiça
- Assembleia Legislativa
- Centro Administrativo
- Fernando Ferrari
- Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer)
- Foro Central
- Instituto de Previdência do Estado (IPE)
- Ministério Público Estadual(Praça da Matriz)
- Ministério Público Estadual(torres gêmeas)
- Palácio da Justiça

ORIGEM DA BRIGA - A pedido do MP, a juíza Lílian Cristiane Siman, da 5ª Vara da Fazenda Pública, determinou a interdição do barracão da Associação das Entidades Carnavalescas no Sambódromo do Porto Seco e a Usina do Gasômetro a partir de 14 de dezembro. A prefeitura chegou a propor um acordo para liberar as áreas no final do ano, mas a Justiça decidiu manter a medida. Em vistoria, os bombeiro rejeitaram a abertura da Usina.

OS TRANSTORNOS - A interdição impediu o trabalho de grupos alocados no Gasômetro e as atrações. Os grupos de artes cênicas que ocupam salas para ensaios e apresentações foram impedidos de voltar aos locais. Foi proibida a instalação de fogos de artifício no Gasômetro para as comemorações de Réveillon. A circulação de pessoas foi proibida na Usina.

A ARGUMENTAÇÃO - A Promotoria do Patrimônio Público alegou a falta de um Plano de Prevenção e Proteção contra Incêndio (PPCI). Segundo a ação, o MP vinha solicitando desde 2005 à prefeitura e à associação, sem êxito, a regularização do sistema de prevenção. Já o Alvará da Usina estava vencido desde 2008.

SECA ELEVA PREÇOS AO CONSUMIDOR

PAGANDO A CONTA. Seca eleva preços ao consumidor. A partir de segunda-feira, os gaúchos devem sentir no bolso os efeitos da falta de chuva que já castiga os produtores rurais - CAIO CIGANA, ZERO HORA 11/01/2012

O consumidor sentirá no bolso os efeitos da seca no campo. Como a falta de chuva reduz a oferta de alimento aos animais e gera perdas nas lavouras, frango e ovos devem subir cerca de 15% a partir de segunda-feira, enquanto o leite tende a ficar até 10% mais caro até fevereiro.

No caso da avicultura, a principal causa é a quebra na lavoura de milho no Estado. Com a disparada do preço do grão, que responde por cerca de 30% do custo de produção das empresas, a indústria sustenta que será necessário repasse de preços.

– O milho estava em torno de R$ 26 a R$ 27 o saco no fim de novembro, início de dezembro, e agora chega a R$ 34 pelo alarme sobre a queda da safra. Não tem jeito. Frangos e ovos vão subir – diz o diretor executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), Eduardo Santos, revelando que o problema foi discutido ontem à tarde pela entidade, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pela Comissão de Agricultura da Assembleia.

O Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos informa que, por enquanto, não há previsão de aumento da carne de porco por ser um período de baixo consumo, mas se os custos continuarem altos, o repasse seria inevitável.

No caso do leite, a situação só não é mais grave agora porque as lavouras de milho perdidas são usadas como alternativa para alimentar os animais em forma de silagem devido ao mau estado das pastagens. Mesmo assim, um levantamento realizado ontem pelo Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado (Sindilat-RS) mostra que a captação é hoje de 8,5 milhões de litros por dia, um milhão a menos do que o normal para o período. O problema, lembra o secretário executivo da entidade, Darlan Palharini, é que esta reserva de alimento acabará nos próximos meses. O aumento dos preços, previsto até fevereiro, também ocorrerá pela impossibilidade de outros centros estabilizarem a oferta. Palharini explica:

– Em Minas Gerais, a dificuldade é pelo excesso de chuvas. E a Argentina também está sofrendo com a seca.

O presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Cesa Longo, diz que já esperava um aumento do leite, mas entende que o no caso da carne de frango pode não chegar aos 15% previstos pela Asgav.

– Esses 15% até podem ser a necessidade, mas o consumidor pode optar por outra carne e também pode vir o produto de fora do Estado – entende.

Longo não descarta que o aumento atinja o óleo de soja pela previsão de safra menor na América do Sul.


Cartão-postal modificado

A estiagem modificou uma das imagens mais conhecidas da Capital. No lago do Parque Moinhos de Vento, bancos de areia chamam a atenção até de funcionários do parque que nunca viram o nível da água – onde existem peixes como lambaris, cascudos e carpas – tão baixo.

O lago do Parcão é abastecido de duas formas: por uma vertente e pela água das chuvas. Ambas são afetadas pela seca – a redução na precipitação também diminui sensivelmente o fluxo vindo do olho d’água. Além disso, explica Sergio Tomasini, engenheiro agrônomo e administrador do parque, o lago é muito mais raso do que parece aos que tomam chimarrão aos domingos em suas margens.

– Foi uma redução de uns 20 centímetros no nível da água, e já apareceu o assoreamento – constata.

Há um fator adicional, além da seca: a erosão do terreno, especialmente nas bordas, vem aumentando nos últimos anos a quantidade de terra no lago. Segundo Tomasini, escavar o local para deixar mais fundo – e evitar situações como a atual – causaria mais mal do que bem aos animais.

– Mexer muito no fundo do lago faz com que o sedimento (terra) fique suspenso nas águas, prejudicando peixes e cágados – afirma.

Uma limpeza nas margens, retirando galhos e folhas caídas das árvores, será feita hoje. Por ora, não há riscos aos animais que vivem no local, garante. Além dos peixes, o lago é residência de cágados e patos domesticados. A bióloga Soraya Ribeirovistoriou o lago do Parcão ontem à tarde e não constatou perigo para os animais.

Prontos para qualquer uma

Os cágados que povoam o lago do Parque Moinhos de Vento – são cerca de 500 animais de quatro espécies diferentes – são especialistas em aguentar o mau tempo. A tática é se enterrar na areia, seja no verão ou no inverno, para escapulir de temperaturas extremas. O segredo é que conseguem armazenar energia em forma de gordura: aí, conseguem ficar longos períodos sem se alimentar. No inverno, ficam até quatro meses debaixo da terra.