Este Blog retratará o descaso com a Defesa Civil no Brasil; a falta de políticas específicas; o sucateamento dos Corpos de Bombeiros; os salários baixos; a legislação ambiental benevolente; a negligência na fiscalização; os desvios de donativos e recursos; os saques; a corrupção; a improbidade; o crime organizado e a inoperância dos instrumentos de prevenção, controle e contenção. Resta o sofrimento das comunidades atingidas, a solidariedade consciente e o heroísmo daqueles que arriscam a vida e suportam salários miseráveis e péssimas condições de trabalho no enfrentamento das calamidades e sinistros que assolam o povo brasileiro.

domingo, 27 de janeiro de 2013

PESSOAS SENDO PISOTEADAS

FOLHA.COM 27/01/2013 - 10h10

"Vi pessoas serem pisoteadas tentando sair", diz vítima de incêndio



ADRIANA FARIAS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
SIDNEY GONÇALVES DO CARMO
DE SÃO PAULO

Atualizado às 14h25.

A auxiliar de escritório Michele Pereira, 34, é uma das pessoas que conseguiu escapar do incêndio que atingiu na madrugada a boate Kiss, no centro de Santa Maria (307 km de Porto Alegre), deixou ao menos 231 mortos e 117 hospitalizados, segundo revisão de números feita pela Brigada Militar.

No momento do incêndio Pereira estava em frente ao palco onde um grupo fazia um show. "A banda que estava no palco começou a usar sinalizadores e, de repente, pararam o show e apontaram [o sinalizador] para cima. Aí o teto começou a pegar fogo, estava bem fraquinho, mas em questão de segundos começou a se alastrar", contou.

A auxiliar estava próxima da porta da saída, por isso conseguiu escapar. "Foi minha sorte estar perto da saída e era a única que tinha pelo que eu vi porque todo mundo estava saindo por ela ou pela porta de entrada", contou. No corre-corre, Michele caiu e machucou o joelho. "Vi muita gente sendo pisoteada no desespero para sair de lá eu acabei cortando o joelho", disse.

Na saída, o cenário visto por Pereira foi desolador. "Foi terrível, cena de filme de horror! Corpos caídos pelo chão, muita gente desmaiada, chorando, tentando respirar porque a fumaça era muita", contou.

Pereira estava com a estudante de radiologia Leandra Toniolo, 23, quando a amiga avisou que iria ao banheiro, deixando todos os documentos na bolsa da auxiliar. O incêndio começou quando Toniolo ainda estava no banheiro. A família ainda busca por notícias da estudante.

"Assim que o incêndio começou ela ainda estava no banheiro, que ficava próxima a entrada. Eu estava no lado oposto, perto do palco e próximo da porta de saída. Eu teria que cruzar a pista inteira para tentar encontrá-la e no tumulto era impossível", contou.


Reprodução/Facebook

Michele Pereira, 34, é uma das pessoas que conseguiu escapar do incêndio


INCÊNDIO

O tenente-coronel Moisés da Silva Fuchs afirmou que o número de mortos pode ser ainda maior, já que ainda há pessoas desaparecidas e espalhadas por diversos hospitais. Ainda não foi divulgada a relação de nomes das vítimas. De acordo com Fuchs, o alvará do estabelecimento estava vencido desde agosto de 2012.

Ele disse ainda que o transporte dos corpos para o Centro Desportivo Municipal (Farrezão) é realizado por um caminhão da Brigada Militar, devido ao elevado número de mortos. "O número de mortos pode chegar a 150, já que a equipe do Corpo de Bombeiros ainda não chegou até o fundo da boate", disse Fuchs.

Segundo o coordenador da Defesa Civil, Adelar Vargas, o fogo teria começado na espuma de isolamento acústico, no teto. Um dos integrantes da banda, que se apresentava no local, teria acendido um sinalizador, que atingiu o teto e o fogo se espalhou rapidamente, de acordo com Vargas.

No local, havia apenas uma saída de emergência. Os bombeiros tiveram que abrir um buraco na parede da boate para facilitar o acesso e a retirada das pessoas do local.

A boate tem capacidade para cerca de 2.000 pessoas, e fica na rua dos Andradas, na altura do número 1.925. Os feridos foram levados aos hospitais Universitário, da Guarnição de Santa Maria, de Caridade, da Casa de Saúde, do São Francisco e UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) na própria região. O Corpo de Bombeiro pede que os parentes das vítimas busquem informações diretamente nos hospitais.

O assessor do Hospital Caridade, que fica na região central da cidade, Claudemir Pereira, disse que pelo menos 30 pessoas estão no hospital com ferimentos leves a graves. Os corpos foram levados para o Centro Desportivo Municipal (Farrezão), porque o IML (Instituto Médico Legal) não tem capacidade para abrigá-los.

Segundo informação preliminar da prefeitura, há registro de quatro mortes na UPA e outras quatro no Hospital da Guarnição de Santa Maria. A prefeitura está recrutando voluntários para ajudar no atendimento aos feridos, principalmente, enfermeiros e de médicos.

O fogo foi controlado por volta das 5h30, mas por volta das 7h os bombeiros ainda permaneciam no local fazendo o trabalho de rescaldo. O prédio ficou destruído e corre risco de desabamento, de acordo com os bombeiros.

As causas do incêndio serão investigadas.

FAMÍLIA IDENTIFICA CORPO DE JOVEM ESTUDANTE

FOLHA.COM 27/01/2013 - 15h04

Família identifica corpo de estudante de radiologia de 23 anos


ADRIANA FARIAS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A estudante de radiologia Leandra Toniolo, 23, que estava entre os desaparecidos no incêndio que atingiu a boate Kiss, no centro de Santa Maria (307 km de Porto Alegre), foi encontrada morta pelos familiares. O incêndio deixou aomenos 231 mortos e 117 hospitalizados, segundo revisão de números feita pela Brigada Militar. O local tinha capacidade para 2.000 pessoas.

O corpo de Toniolo estava no caminhão usado pela Brigada Militar para levar a grande quantidade de corpos ao Centro Desportivo Municipal (Farrezão). "A família está desolada, a Michele [amiga que sobreviveu e contou que Toniolo estava no banheiro no momento do incêndio] está em estado de choque, disse a estudante Clarissa Weiss Pereira, 33, prima de Michele Pereira, 34.

Arquivo Pessoal

Corpo de Leandra Toniolo, 23, foi encontrado em caminhão da Brigada Militar


A auxiliar de escritório Michele Pereira, 34, é uma das pessoas que conseguiu escapar do incêndio que atingiu na madrugada a boate Kiss, no centro de Santa Maria (307 km de Porto Alegre), e deixou ao menos cem mortos e 200 feridos, segundo informações preliminares do Exército.

No momento do incêndio Pereira estava em frente ao palco onde um grupo fazia um show. "A banda que estava no palco começou a usar sinalizadores e, de repente, pararam o show e apontaram [o sinalizador] para cima. Aí o teto começou a pegar fogo, estava bem fraquinho, mas em questão de segundos começou a se alastrar", contou.

A auxiliar estava próxima da porta da saída, por isso conseguiu escapar. "Foi minha sorte estar perto da saída e era a única que tinha pelo que eu vi porque todo mundo estava saindo por ela ou pela porta de entrada", contou. No corre-corre, Michele caiu e machucou o joelho. "Vi muita gente sendo pisoteada no desespero para sair de lá eu acabei cortando o joelho", disse.

Na saída, o cenário visto por Pereira foi desolador. "Foi terrível, cena de filme de horror! Corpos caídos pelo chão, muita gente desmaiada, chorando, tentando respirar porque a fumaça era muita", contou.

Pereira estava com a estudante de radiologia Leandra Toniolo, 23, quando a amiga avisou que iria ao banheiro, deixando todos os documentos na bolsa da auxiliar. O incêndio começou quando Toniolo ainda estava no banheiro.

"Assim que o incêndio começou ela ainda estava no banheiro, que ficava próxima a entrada. Eu estava no lado oposto, perto do palco e próximo da porta de saída. Eu teria que cruzar a pista inteira para tentar encontrá-la e no tumulto era impossível", contou.

ESTOU EM ESTADO DE CHOQUE


Jovens que estavam na boate relatam como foi o incêndio em Santa Maria. ‘Estou em estado de choque’, disse uma menina à Globo News


O GLOBO
Atualizado:27/01/13 - 12h25



RIO — Os sobreviventes do incêndio em uma boate de Santa Maria (RS), que deixou mais de 200 mortos, deram depoimentos sobre a tragédia ao “Diário de Santa Maria” e o canal a cabo “Globo News”. Veja os relatos:

Segurança da boate, Rodrigo Moura, de 20 anos, estava no palco no momento em que o sinalizador foi disparado. Ele conta que pegou um instintor de incêndio para conter as chamas, mas instrumento não funcionou. Segundo ele a boate estava com lotação máxima, que seria entre mil e duas mil pessoas.

Uma jovem que não quis se identificar contou que após o disparo de um fogo de artifício houve um clarão muito grande seguido de uma fumaça preta. As pessoas começaram a se desesperar e, na tentativa de fugir, algumas caíram no chão e foram pisoteadas. Ela conta que só conseguiu se salvar porque estava próxima da única porta do prédio.

Ezequiel Corte Real, 23 anos, estava na boate quando o incêndio começou. Ele conta que ajudou muitos a saírem, mas admite que foi muito difícil se salvar. “Eu só consegui sair porque sou muito forte”, disse ao “Diário de Santa Maria”.

O bancário Alberto Tessmez, de 35 anos, estava dando voltas de carro pela cidade com amigos quando percebeu a movimentação em frente a boate Kiss, na Rua dos Andradas. Ele contou que ajudou pelo menos 50 pessoas a sair da boate. Segundo ele, a fumaça era muito densa, o que dificultou na retirada das pessoas.

A estudante Taynne Vendrúsculo contou para a “Globo News” que só conseguiu sair da boate porque estava perto da porta de saída. Ela conta que as pessoas que estavam perto do palco não conseguiram deixar a casa noturna. “Um amigo viu o fogo. Saímos rápido, dentro de dois minutos após o incêndio Foi muito rápido para o fogo se alastrar. Saímos e fomos para o estacionamento de um supermercado, que fica em frente. Temíamos alguma explosão” contou a menina à emissora, que disse ainda que estava em estado de choque. “Não consigo saber notícias de três amigos, se eles estão bem ou não. Foi tudo rápido”.

Luana Santos Silva, 23 anos, contou para a “Globo News” que o fogo se alastrou muito rapidamente: “Olhamos para o teto e estava começando o fogo. Foi um amigo nosso que nos mostrou. Então, nós começamos a sair, mas não dei muita bola no início. Minha irmã que me puxou. Saí arrastada pelo chão. E foi só atravessar a rua que começou a sair muita fumaça e aí começou a sair o pessoal desesperado, gente machucada”.


Tragédia no RS é noticiada pela imprensa internacional. Incêndio em boate deixou ao menos 245 mortos

O GLOBO
Atualizado:27/01/13 - 11h57




“El Pais” traz incêndio na manchete do site Reprodução da internet


RIO - O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), que deixou ao menos 245 mortos recebe destaque nas edições digitais de grandes jornais internacionais na manhã deste domingo. O espanhol “El Pais” traz na manchete de seu site “Dezenas de mortos em incêndio em uma discoteca no sul do Brasil”.

O jornal diz que há semelhança entre a dificuldade dos jovens saírem da boate do RS e a tragédia no estádio Madrid Arena, no fim do ano passado, quando três jovens que festejavam o Halloween na capital espanhola, morreram pisoteados.

A rede britânica BBC informa comobreaking news que “Dezenas morrem em incêndio no sul do Brasil”. O tablóide britânico “Daily Mirror” fala em “inferno” e “cenas de horror” ao destacar que o fogo na boate Kiss começou com show pirotécnico de uma banda. O jornal traz relatos de vítimas sobre os momentos de horror inalando fumaça ao tentar sair do local. O incêndio provocou pânico e muitas pessoas não conseguiram ter acesso à saída de emergência.

Já o jornal francês “Le Monde” também dá destaque à tragédia com “Brasil: incêndio mortífero em boate”, em que relata que a maior parte das pessoas morreu asfixiada. No “El Mundo”, o destaque é para o número de pessoas que estavam no local na hora da tragédia, cerca de 2000.





INCÊNDIO EM BOATE NO RS MATA DEZENAS DE JOVENS


PORTAL DE RAFALE NEMITZ - domingo, 27 de janeiro de 2013

Incêndio na Boate Kiss em Santa Maria



   


Um incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, deixou vítimas nessa madrugada. As informações ainda são preliminares. O incidente teria registrado várias mortes. O  blog está buscando mais informações. 

Segundo o Corpo de Bombeiros de Santa Maria, o incêndio foi de grande proporção. O fogo teria começado na espuma de isolamento acústico, no teto da boate. As chamas se espalharam rapidamente e todo o ambiente foi encoberto por uma fumaça preta.

Equipes do corpo de bombeiros, Base Aérea de Santa Maria, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Rodoviária Estadual, Brigada Militar, Batalhão de Operações Especiais e Samu contam, também, com o auxílio do serviço de ambulâncias de urgência e emergência de diversos hospitais e clínicas da cidade para resgatar os feridos.

As fotos são da Página do Facebook Um Santa-Mariense





GLOBO NEWS

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

PORTO ALEGRE DESPREPARADA


ZERO HORA 09 de janeiro de 2013 | N° 17307

EDITORIAIS

Cidade despreparada


Bastou uma chuva de razoável intensidade como a registrada na noite da última segunda-feira para os porto-alegrenses constatarem que vivem numa cidade despreparada para garantir-lhes serviços básicos em caso de intempéries. A combinação de obras viárias com a falta de planejamento para emergências provocou transtornos para a população, semáforos desligados, caos no trânsito, ruas alagadas, imóveis inundados e desamparo total para os cidadãos atingidos. As obras são necessárias. O momento também é adequado, pois nos meses de verão o movimento de trânsito é menor na Capital. Ainda assim, é chocante constatar que o poder público não se previne em relação a eventuais quebras de rotina, como a do início desta semana.

Porto Alegre, de fato, já não alaga mais com chuvas de 40mm por dia. Entre 18h de segunda-feira e 6h da manhã de ontem, choveu cerca de 65mm, o equivalente a 65% da média de janeiro na Capital. Obras como o Conduto Álvaro Chaves, na Avenida Goethe – onde o acúmulo de água costumava provocar pânico entre quem trafegava de carro pelo local –, demonstram que é possível eliminar ameaças crônicas aos cidadãos com projetos adequados. Falta, agora, garantir os recursos necessários para intensificar a execução de ações semelhantes em outros pontos nos quais as inundações costumam ser constantes.

Além de fazer com que obras desse tipo não fiquem apenas na promessa de períodos eleitorais, a administração José Fortunati precisa intensificar a fiscalização sobre suas próprias ações e sobre hábitos dos munícipes. Quando as águas baixaram, por exemplo, muitas ruas da Capital ficaram tomadas por sacos de lixo. É óbvio que, se isso acontece, há algo errado com a forma de descarte ou de recolhimento, ou de ambos.

O poder público tem o dever de conscientizar os cidadãos, com campanhas educativas, sobre o papel que lhes cabe para evitar a repetição desses problemas. Da mesma forma, os cidadãos precisam ter consciência de que só a pressão permanente e responsável pode levar a Capital a se tornar menos vulnerável a fenômenos que alteram sua rotina.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

PROBLEMA RECORRENTE

ZERO HORA 04 de janeiro de 2013 | N° 17302

CHUVA CAUSA MORTE E DESLIZAMENTOS NO RIO. Uma pessoa morreu e duas estariam desaparecidas em Duque de Caxias


A frente fria que chegou com força na madrugada de ontem ao Rio de Janeiro provocou chuvas intensas na Baixada Fluminense, na serra no sul do Estado. Uma pessoa morreu em Xerém, distrito de Duque de Caxias, onde o Rio Capivari subiu e alagou diversos bairros. Outras duas estariam desaparecidas.

Em Teresópolis, onde mais de 900 pessoas morreram em fevereiro de 2011 em razão de deslizamentos de terra, as sirenes foram acionadas em cinco comunidades com a subida do Rio Paquequer. Cinquenta pessoas ficaram desalojadas. Em Petrópolis, onde os rios Bingen e Piabanha transbordaram, também houve acionamento de sirenes para alertar a população. Foram registrados deslizamentos de terra e pedras nos bairros Independência, Siméria e São Sebastião. Em Angra dos Reis, oito casas desabaram e famílias ficaram desalojadas. Em dezembro de 2010, a cidade foi afetada por temporais e deslizamentos que mataram pelo menos 50 pessoas.

Também na região de Angra, Mangaratiba teve rolamento de pedras e um muro desabou, causando danos a uma casa. Em Mambucaba, há pelo menos cem desalojados.

Hoje, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), deve se reunir com o ministro Fernando Bezerra, da Integração Nacional, para discutir medidas emergenciais de combate aos estragos provocados pelas chuvas na Baixada Fluminense e na Região Serrana. Cabral determinou ainda a formação de um gabinete de crise no Centro Estadual de Gestão de Desastres (Cestad), na sede do Departamento Geral de Defesa Civil. Haverá representantes de seis secretarias (Defesa Civil, Saúde, Obras, Assistência Social, Educação e Meio Ambiente), além do Departamento de Recursos Minerais.


Pagodinho ajuda vítimas

Dono de um sítio em Xerém, o cantor e compositor Zeca Pagodinho passou o dia ajudando moradores que sofreram com a enchente. Embora viva em área nobre da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro, o cantor estava no sítio desde o Réveillon.

A bordo de um quadriciclo, acompanhado da filha Elisa, ele percorreu várias ruas de Xerém. Também usou as redes sociais para pedir solidariedade. O cantor descreveu a situação na localidade de Hilarino de Souza. “Muitas famílias acabaram. Muita gente pobre, sofredora. Lá só tem um caminho, que está tomado de lixo. É um descaso. Isso dá nojo, nojo dos políticos”, desabafou.

Zeca contou que acordou com amigos salvando bichos no quintal.

“Juntei o que tinha em casa e fiz uma sopa”. O cantor relatou uma “sensação de impotência” diante do drama vivido pelos moradores. Em entrevista à TV Globo, emocionou-se ao comentar a devastação na região e disse nunca ter visto temporal de tamanha intensidade. Em 2001, o sambista gravou no sítio de Xerém o CD Quintal do Zeca, em que canta com os compositores de seus grandes sucessos.

Os prejuízos

- Mais de 3,7 mil desalojados ou desabrigados.

- Uma pessoa morta em Xerém, no distrito de Duque de Caxias, município mais afetado até ontem.

- Transbordamento de seis rios em Duque de Caxias, Petrópolis e Teresópolis.

- A BR-101 Sul, conhecida como Rio-Santos, foi interditada.

Fonte: Fonte: Secretaria de Estado de Defesa Civil e de prefeituras

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

EVITAR AFOGAMENTOS NOS CLUBES E BALNEÁRIOS

ZERO HORA 02 de janeiro de 2013 | N° 17300

ÁGUAS INTERNAS

Projeto de lei para evitar afogamentos. 
Proposta é que clubes e balneários sejam obrigados a ter salva-vidas

ÁLISSON COELHO

Uma nova lei estadual pretende ajudar a evitar a onda de afogamentos em rios, lagoas, açudes, arroios, barragens, canais e piscinas no Estado. Apenas em 2012 foram 173 mortes em águas internas, contra uma no mar, onde há monitoramento dos banhistas. O texto estabelece que locais abertos ao público como clubes e balneários também contem com o monitoramento de salva-vidas.

Aprovada por unanimidade pela Assembleia no dia 19 de dezembro, a proposta do deputado estadual Gilmar Sossella (PDT) aguarda pela sanção do governador Tarso Genro. Mesmo que seja positiva, a opinião do Corpo de Bombeiros é de que a lei terá sua eficácia limitada por um mal comum em casos de afogamento: a imprudência dos banhistas.

Isso acontece porque grande parte das mortes ocorre em locais impróprios para banho, e que não contam com nenhuma estrutura para receber visitantes.

– A maior parte desses casos são em propriedades particulares, muitas delas com entrada proibida. As pessoas acabam indo a esses lugares, mesmo com todos os alertas dos perigos – afirma o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Guido Pedroso de Melo.

Treinamento de salva-vidas deverá ser feito pela BM

De acordo com o deputado Sossella, a lei servirá para diminuir o número de casos, mesmo que não consiga contemplar os locais onde ocorrem a maioria dos afogamentos.

– Não há como colocar salva-vidas em todos os pontos onde as pessoas tomam banho. A lei é especificamente para locais públicos ou privados onde haja utilização coletiva e que sejam administrados por alguém – explica Sossella.

Caberá aos administradores dos locais contratar profissionais treinados para monitorar os banhistas. A qualificação dos salva-vidas deverá ser feita pela Brigada Militar (BM), ou em uma escola autorizada pela BM.

– Vamos utilizar a escola de bombeiros para qualificar esses profissionais. Essa qualificação terá um custo, que acreditamos será bastante baixo, apenas para cobrir os gastos com professores – ressalta o comandante dos bombeiros.

Se sancionada a lei, a fiscalização de sua aplicação ficará a cargo da Brigada Militar.

Os estabelecimentos que descumprirem a medida serão multados, e em caso de reincidência, terão os alvarás de funcionamento cassados.


Clubes já se adequam à legislação

Um levantamento feito pela equipe do autor do projeto de lei, antes de proposição da medida, aponta que parte dos clubes e grandes parques já está adequada à proposta. Temendo processos judiciais decorrentes de um eventual acidente, os empresários investem em monitores treinados.

Para quem cumpre a lei, a medida não traz novidades, mas ajuda a equilibrar a concorrência com quem não investe na segurança dos banhistas. Com 150 funcionários, o Acqua Lokos Parque Hotel conta com monitores em todas as piscinas, e mantém parceria com o Corpo de Bombeiros para treinar os salva-vidas.

– Um acidente qualquer em outro lugar pode refletir mesmo naqueles que já têm todo o cuidado – afirma o diretor-geral do parque, Fabiano Brogni.

O que está previsto

QUEM ARCA COM OS CUSTOS - A proposta torna obrigatória a presença de salva-vidas em piscinas de uso coletivo existentes em clubes, parques aquáticos e estabelecimentos do gênero, bem como nos balneários que utilizem leitos de rios, lagos naturais ou artificiais, ou lagoas para recreação ou competição. Os empreendimentos deverão contar com todos os equipamentos de primeiros socorros necessários para o atendimento de vítimas de afogamento. O material deve ser informado e atualizado pela Brigada Militar.
A responsabilidade pela contratação dos profissionais deverá ser do proprietário ou do concessionário do estabelecimento.

COMO SERÃO TREINADOS OS SALVA-VIDAS - O salva-vidas deve ter treinamento específico, ministrado pela Brigada Militar ou em escola devidamente autorizada pela Brigada Militar, e deve estar posicionado em local de fácil acesso a qualquer lugar da piscina, rio, lago ou lagoa em que haja balneabilidade.

QUEM FISCALIZARÁ O CUMPRIMENTO DA MEDIDA - A fiscalização será feita pela Brigada Militar, e o seu descumprimento levará à imposição de penalidade de multa e cassação do registro de funcionamento, em caso de reincidência.