Protestos. União de associações militares quer piso de R$ 2.900 para PMs e bombeiros - O GLOBO, 08/06/2011 às 18h28m. Gustavo Goulart, Duilo Victor, Miguel Caballero e Vinícius Lisboa.
RIO - Por mais de duas horas, representantes da Frente Unificada das Entidades de Classe da Segurança Pública do Rio, criada nesta quarta-feira, estiveram reunidos com o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões, e decidiram encaminhar uma proposta de aumento do piso salarial para PMs e bombeiros, para R$ 2.900. O valor é R$ 900 acima do que os bombeiros reivindicavam inicialmente.
- Chegamos a essa quantia comparando os pisos salariais de corporações de outros estados - disse Nilo Guerreiro, presidente da Associação de Cabos e Soldados do Corpo de Bombeiros.
A prioridade, segundo Guerreiro, continua sendo a liberação dos 439 bombeiros presos depois da invasão do quartel central, no sábado. Segundo o presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, Wanderlei Ribeiro, o próprio coronel Simões manifestou interesse pela soltura dos bombeiros. Ribeiro informou que o comandante do Corpo de Bombeiros disse que eles estão fazendo falta à corporação.
O coronel Simões, por sua vez, disse que aguarda uma proposta oficial com todos os itens reivindicados pela categoria para encaminhar ao governador Sérgio Cabral. Ele informou que espera haver um consenso entre reivindicações feitas pela Frente e as que foram feitas na terça-feira durante reunião com três representantes da categoria.
Neste momento, integrantes da Frente Unificada estão reunidos na sede da Associação de Cabos e Soldados da PM, no Centro, para discutir os itens da conversa feita com o comandante e elaborar uma proposta oficial.
A Frente Unificada é formada pelos Sindicato dos Policiais Civis, Associação de Cabos de PMs e Bombeiros, Associação de Praças do Corpo de Bombeiros, Associação de Cabos e Soldados do Corpo de Bombeiros, Associação de Oficiais Bombeiros, entre outras entidades.
Pelo quarto dia consecutivo, cerca de 50 bombeiros ocupam a escadaria da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) . Além das faixas e dos cartazes que exibem, os militares continuam distribuindo fitas vermelhas para os pedestres e motoristas que passam pelo região. Na Praia do Recreio, salva-vidas distribuíram as fitas para os jogadores do Flamengo, que realizavam um treino físico. O técnico Vanderlei Luxemburgo, que também recebeu uma fita vermelha, afirmou que apoia as reivindicações dos bombeiros :
- Dá até para admitir que foi um ato de indisciplina, é complicado invadir o quartel. Mas a prisão dos bombeiros por tanto tempo é uma arbitrariedade do governo. A população reconhece o trabalho e a dedicação que essa categoria tem nas ruas e nas praias. Acho que as reivindicações são justas - declarou o técnico rubro-negro.
Os manifestantes que estão acampados na Alerj receberam cem colchonetes doados pela Força Sindical. Segundo o secretário-geral da organização no Rio de Janeiro, Marco Lagos, o presidente do sindicato, deputado Paulinho da Força (PDT-SP) tentará reunir nesta quarta-feira uma comissão de parlamentares para pedir a anistia dos bombeiros presos ao Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.
Durante a manhã, um grupo de estudantes dava apoio ao protesto. Dois carros da Polícia Militar continuam parados em frente à Alerj. Os bombeiros ainda arrecadam alimentos e, segundo um dos militares, há comida para um mês.
Em Niterói, os 439 bombeiros que estão presos no quartel de Charitas receberam o apoio de alunos de uma escola estadual vizinha ao quartel, que fizeram uma manifestação na varanda do colégio durante o banho de sol dos militares. Os estudantes cantaram o hino nacional e um pedaço do hino do Corpo de Bombeiros.
Na segunda-feira, o grupo que protesta na Alerj abandonou provisoriamente a reivindicação por melhores condições de salário e trabalho e passaram a pedir a libertação dos 439 bombeiros presos após a invasão ao quartel-central da corporação na última sexta-feira.
A Defensoria Pública do Estado do Rio entrou, na noite desta terça-feira, com um pedido na Auditoria Militar de relaxamento de prisão e de liberdade provisória dos bombeiros presos no último sábado . Em nota, a defensoria afirma que o pedido de relaxamento de prisão foi feito porque a defensoria não recebeu o Auto de Prisão em Flagrante dos militares, o que tornaria a prisão ilegal. Para os defensores, a demora na comunicação não se justifica nem mesmo com o número elevado de detidos.
Já no pedido de Liberdade Provisória, é afirmada a desnecessidade da prisão dos Bombeiros, uma vez que "num Estado Democrático de Direito a regra é que o réu responda ao processo em liberdade, só podendo ser preso após a condenação transitada em julgado. Além disso, a prisão provisória é uma medida excepcional, não podendo ser aplicada como forma de punição antecipada". Os defensores entendem que os bombeiros exercem atividade lícita e estável como servidores públicos. A defesa dos Bombeiros está sendo feita pelos defensores Daniel Lozoya, Leonardo Rosa e Luis Felipe Drummond.
A Auditoria Militar só recebeu a comunicação do flagrante na noite da segunda-feira, mais de 48 horas após as prisões . Segundo a assessoria da Polícia Militar, a comunicação demorou em razão do número de envolvidos, uma vez que para lavrar o flagrante, todos os presos tiveram de ser identificados, qualificados e ouvidos.
Este Blog retratará o descaso com a Defesa Civil no Brasil; a falta de políticas específicas; o sucateamento dos Corpos de Bombeiros; os salários baixos; a legislação ambiental benevolente; a negligência na fiscalização; os desvios de donativos e recursos; os saques; a corrupção; a improbidade; o crime organizado e a inoperância dos instrumentos de prevenção, controle e contenção. Resta o sofrimento das comunidades atingidas, a solidariedade consciente e o heroísmo daqueles que arriscam a vida e suportam salários miseráveis e péssimas condições de trabalho no enfrentamento das calamidades e sinistros que assolam o povo brasileiro.
quarta-feira, 8 de junho de 2011
ÂNCORAS DO SBT ENALTECEM BOMBEIROS DO RIO
Os âncoras Joseval Peixoto e Rachel Sheherazade enaltecem Bombeiros do Rio - SBT BRASIL - 07.06.2011.
BOMBEIROS DO RIO - PRIMEIRA REUNIÃO COM O COMANDANTE-GERAL TERMINA SEM ACORDO
Primeira reunião entre bombeiros e comandante-geral termina sem acordo - Jornal do Brasil - JORNAL DO BRASIL, 08/-6/2011, 8h39
Terminou sem acordo a primeira reunião entre os líderes dos bombeiros que há três dias estão acampados em frente à Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e o comandante-geral da corporação, coronel Sérgio Simões. Também compareceram o presidente da Alerj, deputado Paulo Melo (PMDB), e o o secretário estadual de Saúde e Defesa Civil, Sérgio Côrtes.
Apesar de o encontro não ter resolvido o impasse, foi visto como um avanço por ambas as partes. Na próxima quinta haverá uma nova rodada de negociações. O horário e o local ainda não estão definidos.
Segundo o coronel Sérgi Simões, a pedida salarial dos militares ultrapassa o teto pago pelo Estado. Sobre a libertação dos 439 detidos após a invasão ao quartel-general do Corpo de Bombeiros, na última sexta-feira, ele disse não ter poder para reverter a situação.
"Eles dizem que um dispositivo federal permite a anistia dos detidos, mas disse-lhes que tenho dúvidas sobre esse instrumento legal", afirmou.
A anistia "ampla, geral e irrestrita é uma das exigências dos manifestantes para que os protestos sejam interrompidos. Além disso, eles desejam aumento salarial e melhorias das condições de trabalhos. Segundo os militares, faltam equipamentos básicos. Os guarda-vidas, por exemplos, não receberiam filtro solar.
A reunião ocorreu mesmo depois que líderes do movimento divulgaram nota, à tarde, informando que as negociações não seriam retomadas enquanto os 439 bombeiros presos não fossem soltos - o documento foi assinado por um major, três capitães, um sargento e três cabos, que se apresentam como oito lideranças do movimento.
"Orientamos, pelo bem dos 439 bombeiros presos, bem como das nossas famílias, que ninguém está autorizado a negociar qualquer pauta antes que todos nós sejamos libertados", dizia um trecho da nota.
Defensoria entra com pedido de relaxamento de prisão e de liberdade provisória
No início da noite, a Defensoria Pública do Estado ingressou na Auditoria Militar com pedido de relaxamento de prisão e de liberdade provisória para os 439 bombeiros presos. Segundo a defensoria, a prisão seria ilegal, pois a entidade não havia recebido o Auto de Prisão em Flagrante dos militares. Para os Defensores, a demora na comunicação não se justifica nem mesmo com o número elevado de detidos.
No pedido de Liberdade Provisória, "é afirmada a desnecessidade da prisão dos Bombeiros, uma vez que num Estado Democrático de Direito a regra é que o réu responda ao processo em liberdade, só podendo ser preso após a condenação transitada em julgado. Além disso, a prisão provisória é uma medida excepcional, não podendo ser aplicada como forma de punição antecipada", diz a nota, acrescentando que os defensores públicos "entendem que os bombeiros exercem atividade lícita e estável como servidores públicos".
Presos recusam transferência
No início da tarde, os presos rejeitaram a proposta do comando-geral da corporação para serem transferidos do quartel do Corpo de Bombeiros, em Jurujuba, Niterói, para as unidades onde são lotados. Para a representante da Associação dos Ativos, Inativos e Pensionistas das Polícias Militares, Brigadas Militares e Corpos de Bombeiros do Brasil (Assinap), Sônia Regina Samary, a proposta de transferir os militares para as unidades onde estão lotados objetivava separá-los para enfraquecer o movimento.
Durante o dia, familiares dos presos se reuniram em frente ao quartel. A mulher de um dos detidos disse que o grupo reivindicava a libertação de todos os 439 bombeiros. "Eles não são bandidos, são trabalhadores que salvam vidas. O que adianta aumento agora se nossos maridos estão presos."
Os familiares puderam entrar no quartal com cobertores e alimentos para os bombeiros presos. Nos prédios ao lado do quartel, a população pendurou bandeiras e lenços vermelhos em apoio ao movimento. Alguns dos presos rasparam a cabeça e fizeram inscrição com o número 439, em referência ao total de detidos.
BOMBEIROS SÓ DESCANSAM QUANDO LIBERTAREM COMPANHEIROS

Bombeiros só descansarão quando libertarem companheiros, diz líder do movimento - O DIA, 08/06/2011
Rio - Lauro Boto, capitão do Corpo de Bombeiros e uma das lideranças do movimento, afirmou nesta quarta-feira que os companheiros só vão descansar depois que resgatarem os militares presos durante a invasão do quartel central, ocorrida na noite de sexta-feira. "O que a gente quer é voltar a trabalhar normalmente, mas não vamos descansar enquanto não resgatarmos nosso pessoal", disse Lauro em entrevista à Rádio Band News.
O capitão elogiou o novo comandante da corporação, coronel Sérgio Simões, e as nogociações aparentam estar em um bom caminho. "O coronel Simões visitou batalhões ontem (terça-feira) e a gente sentia falta deste tipo de conduta. O dever de um oficial é falar à sua tropa, seja ele tenente ou coronel", disse Lauro.
O capitão informou que o coronel esteve nos batalhões para ouvir as reclamações dos bombeiros. "O coronel disse que vai resolver tudo o mais rápido possível. Se o nosso problema são óculos escuros, filtro solar, pé de pato ou capacete, ele disse que vai comprar os melhores equipamentos para os bombeiros", disse.
Na manhã de terça-feira, Simões esteve no quartel de Charitas onde 430 bombeiros estão presos - os outros militares sob custódia estão no Batalhão Prisional (8) e uma tenente enfermeira é mantida no 2º Grupamento de Bombeiros do Méier. Hoje estará no batalhão prisional para conversar.
O coronel, de acordo com o movimento, teria prometido atender às reivindicações dos bombeiros tais como arquivar todos os memorandos disciplinares abertos na gestão anterior e trazer de volta os militares transferidos para quartéis fora da capital.
Governo estuda dar gratificação de R$ 350
Conforme a coluna Informe do Dia antecipou nesta terça-feira, o governo estuda a possibilidade de estender para os bombeiros a gratificação de R$ 350 já recebida pelos policiais militares. A concessão do benefício e do vale-transporte ajudaria a equiparar os bombeiros aos PMs. A necessidade de resolver a crise aumentou depois que o marqueteiro Renato Pereira, da agência Prole, mostrou a Sérgio Cabral pesquisa que mostra queda em sua popularidade e o apoio dos moradores do Rio aos bombeiros. O governador ironizou: disse a Pereira que ele poderia se sentar em sua cadeira para equacionar o problema.
Os bombeiros que estão presos em Charitas, em Niterói, não gostaram da proposta de serem levados para quartéis perto de suas casas. Alegaram que a dispersão dos 439 homens que estão detidos contribuiria para enfraquecer o movimento.
Para muitos bombeiros, Cabral não gosta deles. Isto, por causa da vaia que, em 2009, no Maracanãzinho, integrantes da corporação deram no governador. Eles reclamaram da quantia que receberiam para combater a dengue.
O PROTESTO DOS BOMBEIROS NO RIO
O protesto dos bombeiros no Rio - OPINIÃO, O Estado de S.Paulo - 08/06/2011
Irresponsabilidade, imprudência, destemperos verbais, emprego de força exagerado, ameaças despropositadas, entre outros equívocos cometidos pelas duas partes nas manifestações dos bombeiros do Rio de Janeiro, converteram um movimento legítimo do ponto de vista salarial, e que poderia ter tido uma evolução pacífica, num violento confronto cuja solução não traumática exige mais sensatez, sobretudo do governo estadual.
A prisão de 439 bombeiros deu novo vigor ao movimento, que agora pode se estender para outros Estados, com a mobilização de policiais militares e bombeiros pela aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) n.º 300, que propõe a equiparação de seus salários aos pagos pelo Distrito Federal. Em certos casos, como o do Rio de Janeiro, a equiparação equivalerá à quadruplicação dos atuais vencimentos, o que implicará pesados gastos que muitos Estados não terão condições de cobrir, pois para isso teriam de ferir a disciplina financeira imposta pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Nos termos em que foi colocada inicialmente, a reivindicação dos bombeiros fluminenses é mais do que justificável, pois há muito tempo eles estão com os salários aviltados. Eles alegam que o piso salarial da corporação, de R$ 1.031,38, é o mais baixo de todos os Estados, por isso querem sua duplicação. No Distrito Federal, por exemplo, o piso é de R$ 4.129,73; em Sergipe, o Estado que paga o segundo maior salário, o vencimento inicial da carreira é de R$ 3.012,00, valor que pode aumentar com benefícios como o vale-transporte.
A forma que escolheram para protestar, no entanto, foi irresponsável.
Na noite de sexta-feira, cerca de mil bombeiros e guarda-vidas invadiram o quartel do Comando-Geral dos Bombeiros, no centro do Rio de Janeiro, arrombando os portões. Além disso, levavam em sua companhia esposas, algumas grávidas, e crianças, para, segundo testemunhas, formar um "escudo humano" no caso de uma eventual invasão do local por forças policiais.
Numa operação em que o objetivo não foi unicamente desocupar um prédio público invadido, mas, sobretudo, demonstrar seu poderio, o governo do Estado mobilizou o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar, veículos blindados e helicópteros. Em nota, o governo do Estado informou que determinara a prisão dos que, insubordinados, haviam invadido um bem público e transgredido o código de conduta militar.
De maneira não menos insensata do que a demonstrada pelos manifestantes, a força enviada para desocupar o quartel utilizou explosivos para a derrubada dos portões dos fundos, disparou tiros para o ar e lançou bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral, além de spray de pimenta. Por muito pouco não houve uma tragédia. Todos os ocupantes do quartel foram presos.
Não satisfeito com o uso de força policial desproporcional e injustificável na desocupação do quartel dos bombeiros, o governador Sérgio Cabral, em entrevista coletiva, chamou os manifestantes de "delinquentes" e "vândalos" e afirmou que o movimento tinha inspiração política. Como que para reafirmar uma autoridade que não se questionava, exonerou o comandante dos bombeiros e prometeu que os invasores serão punidos administrativa e penalmente. Desse modo, tornou mais difícil a busca de uma solução negociada para a crise.
Em vez de transmitir tranquilidade à população e um mínimo de serenidade aos envolvidos na crise, Cabral só agravou a situação. Conseguiu tornar mais tensa uma crise que já começou grave. Desse modo, estimulou novos apoios ao movimento reivindicatório. Companheiros dos bombeiros presos fizeram manifestações nas escadarias da Assembleia Legislativa e ganharam o apoio de movimentos que defendem direitos humanos e de deputados estaduais e federais de diferentes partidos.
A mobilização que se inicia em outros Estados pela aprovação da PEC 300 pode dar amplitude nacional à crise que, bem conduzida pelo governo fluminense, poderia ficar circunscrita ao Estado do Rio de Janeiro.
Irresponsabilidade, imprudência, destemperos verbais, emprego de força exagerado, ameaças despropositadas, entre outros equívocos cometidos pelas duas partes nas manifestações dos bombeiros do Rio de Janeiro, converteram um movimento legítimo do ponto de vista salarial, e que poderia ter tido uma evolução pacífica, num violento confronto cuja solução não traumática exige mais sensatez, sobretudo do governo estadual.
A prisão de 439 bombeiros deu novo vigor ao movimento, que agora pode se estender para outros Estados, com a mobilização de policiais militares e bombeiros pela aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) n.º 300, que propõe a equiparação de seus salários aos pagos pelo Distrito Federal. Em certos casos, como o do Rio de Janeiro, a equiparação equivalerá à quadruplicação dos atuais vencimentos, o que implicará pesados gastos que muitos Estados não terão condições de cobrir, pois para isso teriam de ferir a disciplina financeira imposta pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Nos termos em que foi colocada inicialmente, a reivindicação dos bombeiros fluminenses é mais do que justificável, pois há muito tempo eles estão com os salários aviltados. Eles alegam que o piso salarial da corporação, de R$ 1.031,38, é o mais baixo de todos os Estados, por isso querem sua duplicação. No Distrito Federal, por exemplo, o piso é de R$ 4.129,73; em Sergipe, o Estado que paga o segundo maior salário, o vencimento inicial da carreira é de R$ 3.012,00, valor que pode aumentar com benefícios como o vale-transporte.
A forma que escolheram para protestar, no entanto, foi irresponsável.
Na noite de sexta-feira, cerca de mil bombeiros e guarda-vidas invadiram o quartel do Comando-Geral dos Bombeiros, no centro do Rio de Janeiro, arrombando os portões. Além disso, levavam em sua companhia esposas, algumas grávidas, e crianças, para, segundo testemunhas, formar um "escudo humano" no caso de uma eventual invasão do local por forças policiais.
Numa operação em que o objetivo não foi unicamente desocupar um prédio público invadido, mas, sobretudo, demonstrar seu poderio, o governo do Estado mobilizou o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar, veículos blindados e helicópteros. Em nota, o governo do Estado informou que determinara a prisão dos que, insubordinados, haviam invadido um bem público e transgredido o código de conduta militar.
De maneira não menos insensata do que a demonstrada pelos manifestantes, a força enviada para desocupar o quartel utilizou explosivos para a derrubada dos portões dos fundos, disparou tiros para o ar e lançou bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral, além de spray de pimenta. Por muito pouco não houve uma tragédia. Todos os ocupantes do quartel foram presos.
Não satisfeito com o uso de força policial desproporcional e injustificável na desocupação do quartel dos bombeiros, o governador Sérgio Cabral, em entrevista coletiva, chamou os manifestantes de "delinquentes" e "vândalos" e afirmou que o movimento tinha inspiração política. Como que para reafirmar uma autoridade que não se questionava, exonerou o comandante dos bombeiros e prometeu que os invasores serão punidos administrativa e penalmente. Desse modo, tornou mais difícil a busca de uma solução negociada para a crise.
Em vez de transmitir tranquilidade à população e um mínimo de serenidade aos envolvidos na crise, Cabral só agravou a situação. Conseguiu tornar mais tensa uma crise que já começou grave. Desse modo, estimulou novos apoios ao movimento reivindicatório. Companheiros dos bombeiros presos fizeram manifestações nas escadarias da Assembleia Legislativa e ganharam o apoio de movimentos que defendem direitos humanos e de deputados estaduais e federais de diferentes partidos.
A mobilização que se inicia em outros Estados pela aprovação da PEC 300 pode dar amplitude nacional à crise que, bem conduzida pelo governo fluminense, poderia ficar circunscrita ao Estado do Rio de Janeiro.
terça-feira, 7 de junho de 2011
BOMBEIROS PRESOS DORMEM AMONTOADOS NA QUADRA ESPORTIVA DO QUARTEL

Bombeiros presos dormem amontoados em quartel de Niterói - Jornal do Brasil - 07/06/2011
RIO - Os 349 bombeiros presos no quartel de Jurujuba, em Niterói, divulgaram esta madrugada as fotos das condições em que são mantidos. Eles dormem amontoados e sem as mínimas condições de higiene. Ontem, uma mulher de um bombeiro já tinha revelado que o marido ficou 24 horas sem água e comida. Segundo ela, as condições tinham melhorado nas últimas horas, mas ainda eram precárias.
Enquanto isso. a madrugada foi tranquila nas escadarias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), no Centro da cidade, onde os bombeiros estão acampados há três dias. Os militares garantem que continuam mobilizados na luta por melhores salários e condições de trabalho, além da liberdade para os 439 colegas presos pela invasão ao quartel-general.
Ontem à noite, a mãe de um dos bombeiros que encabeçam o movimento da categoria afirmou que seu filho é vigiado constantemente, desde quando os protestos dos militares se intensificaram no Rio. Na madrugada de sábado, após a invasão do quartel-general da corporação, ela disse que, ao se aproximar de casa, seu filho se deparou com dois automóveis suspeitos, que, aparentemente, o aguardavam.
"Meu filho não ficou no quartel-general até a entrada da polícia pois tinha compromissos particulares inadiáveis a cumprir. Por isso, voltou para casa. Quando se aproximou da residência, de carro, percebeu os dois automóveis, que ligaram os faróis altos em sua direção", conta a mãe, que não quer ser identificada. "Ele, então, que estava com a namorada, seguiu em frente. Os dois carros, que estavam na direção contrária, tiveram de manobrar para seguí-lo. Dessa forma, ele conseguiu acelerar e despistá-los. Mesmo assim, achou melhor não dormir em casa".
Ao relatar a ação ao JB, a mãe do bombeiro praticamente descartou a possibilidade de que a presença dos automóveis pudesse significar uma tentativa de assalto. "Moramos numa rua muito tranquila do subúrbio, onde nunca houve qualquer ação violenta", garante.
Num desabafo, ela se mostrou revoltada com as palavras do governador Sérgio Cabral, que, em entrevista coletiva, qualificou os bombeiros rebelados como "vândalos" e "irresponsáveis".
"Meu filho tem curso superior, e poderia escolher outra profissão, se quisesse", garante. "Mas ele sempre quis ser bombeiro, sempre foi seu sonho e sua vocação".
Para a mãe do militar, a atual situação dos bombeiros do Rio "mancha" a imagem da corporação. "Meu neto, por exemplo, de 11 anos, sempre disse que queria ser bombeiro. No entanto, depois de ver o tio nesta situação, dissse que não quer mais, pois dá muita confusão. Estão tratando bombeiros como se fossem bandidos". desabafa.
A mãe afirma que, "por amor à profissão", seu filho, que é guarda-vidas, praticamente "paga para trabalhar". "Ele ainda não completou três anos na corporação e recebe o salário inicial, de R$ 950. Para sair de casa e ir até a Barra, onde trabalha, sem vale transporte, ele praticamente paga para trabalhar. Com pena, eu às vezes empresto o meu carro. Também comprei seus óculos de sol e pago por seu filtro solar".
Ao criticar Sérgio Cabral, a mãe do militar lembra do discurso do governador durante a formatura do filho: "Meu filho foi um dos 180 que completaram toda a etapa, que, inicialmente, contava com 4 mil candidatos. Na ocasião, o governador disse que os bombeiros que estavam se formando faziam parte de uma elite. Quanta diferença para o discurso de agora".
BOMBEIROS CONTINUAM EM FRENTE À ALERJ

Bombeiros continuam acampados em frente à Alerj pelo segundo dia consecutivo - O DIA, 07/06/2011
Rio - Membros do Corpo de Bombeiros continuam acampados em frente ao prédio da Assembléia Legislativa (Alerj), na manhã desta terça-feira, pelo segundo dia consecutivo. Os militares afirmam que só deixam o local depois que suas reivindicações sejam atendidas.
Os bombeiros pedem a libertação de 439 colegas presos após a invasão do quartel central, ocorrida na noite da última sexta-feira, além do aumento de salário. Pelo menos duas viaturas da Polícia Militar observam os manifestantes.
Ainda nesta terça-feira, um pedido de habeas corpus para o grupo de bombeiros presos deve ser impetrado na Justiça Militar pelos advogados das 12 associações de apoio aos militares.
De acordo com informações do TJ, a Justiça Militar só recebeu a notificação da prisão dos bombeiros na noite desta segunda-feira e ainda vai avaliar os documentos com a qualificação e ocorrência dos presos.
Governo admite negociar com os bombeiros
O governo voltou atrás e já admite negociar com os bombeiros. Em nota oficial, o estado desautorizou o secretário estadual da Casa Civil, Régis Fichtner, que dissera que o canal de negociação fora fechado “por causa da invasão” no Quartel-Central, sexta-feira. Ontem, o movimento conquistou a adesão dos cariocas, que penduraram faixas em janelas e nos carros e até doaram dinheiro aos militares acampados na porta da Alerj.
Com salário inicial de R$ 4,6 mil — pode chegar a R$ 4,8 mil —, bombeiros do Distrito Federal ganham quase 5 vezes mais que os do Rio. E nos estados de São Paulo e Minas Gerais, o valor pago a quem ingressa na carreira — R$ 2,17 mil e R$ 2,01 mil, respectivamente — é o dobro do que recebe o bombeiro fluminense.
A manifestação da categoria reivindica aumento do soldo para R$ 2 mil — hoje é pouco mais de R$ 1 mil bruto e R$ 950 líquidos. Mesmo com o aumento, o salário dos militares, ao fim do governo, será inferior ao praticado em Sergipe, que é de R$ 3 mil.
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