Este Blog retratará o descaso com a Defesa Civil no Brasil; a falta de políticas específicas; o sucateamento dos Corpos de Bombeiros; os salários baixos; a legislação ambiental benevolente; a negligência na fiscalização; os desvios de donativos e recursos; os saques; a corrupção; a improbidade; o crime organizado e a inoperância dos instrumentos de prevenção, controle e contenção. Resta o sofrimento das comunidades atingidas, a solidariedade consciente e o heroísmo daqueles que arriscam a vida e suportam salários miseráveis e péssimas condições de trabalho no enfrentamento das calamidades e sinistros que assolam o povo brasileiro.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

DESLIZAMENTO DE TERRA MATA NO RIO

Deslizamento de terra em Sapucaia (RJ) matou pelo menos 11 pessoas. Oito casas foram atingidas na madrugada desta segunda-feira em Jamapará. Bombeiros ainda fazem buscas por desaparecidos no soterramento - 10 de janeiro de 2012 | 8h 26 - Solange Spigliatti, do estadão.com.br


São Paulo, 10 - Chega a 11 o número de mortos pelo deslizamento de terra que atingiu oito casas na madrugada desta segunda-feira, 9, em Sapucaia, no Rio de Janeiro. As equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros localizaram por volta das 9 horas desta terça-feira, 10, mais dois corpos que foram soterrados. As vítimas são uma mulher, de aproximadamente 40 anos, e Gláucia Nascimento, de 72 anos. No começo da manhã, o corpo de Livia Gomes, 22 anos, já havia sido retirado dos escombros, no distrito de Jamapará. As buscas foram retomadas por volta das 7 horas desta terça-feira, 10.

Os outros mortos são: Luiz Carlos Nassif, de 40 anos, e sua neta, Ana Maria Costa Bela Nassif, de 3 anos; o casal Sergio e Solange, cujo filho de 8 anos está desaparecido; Rosiane Gomes Bastos, de 23 anos e o filho Josiel, de 3, todos no mesmo deslizamento. Em outro ponto do distrito, na Rua José Vital dos Reis, foi encontrado o corpo de um homem de aproximadamente 45 anos identificado apenas como Francisco.

Segundo a prefeitura, existem 50 pessoas desabrigadas que foram levadas para o CIEP 286 - Luiz Daflon pela prefeitura e mais 50 desalojadas que ocupam casas de parentes ou amigos. Existe ainda uma família desaparecida que se abrigou no interior de um veículo durante o deslizamento que também foi soterrado.

Doação - A prefeitura de Sapucaia, através da secretaria de Assistência Social, está promovendo a partir desta terça-feira uma campanha para arrecadação de donativos que serão entregues às famílias atingidas pelas chuvas em Sapucaia. Os donativos mais importantes são: água potável, alimentos não perecíveis, material para higiene pessoal, material de limpeza e leite em caixa ou em pó.

Para fazer doações em Sapucaia, dirija-se a Casa de Cultura situada à Rua Fernando Mauro Jannotti Silva, 130 - Pátio da Estação - Centro - Sapucaia ou na sede da prefeitura, sito à Praça Governador Miguel Couto Filho, 240 - Centro. Em Anta, dirija-se a Secretaria de Transportes situada na Rodovia Régis Bittencourt, s/nº (antigo DNER).

SECA NÃO É FATALIDADE

EDITORIAL ZERO HORA 10/01/2012

Enquanto os governos federal e estadual anunciam medidas emergenciais para atenuar o drama da seca que castiga o Rio Grande do Sul, é importante enfatizar advertências como a feita pelo jornalista Irineu Guarnier Filho. No artigo intitulado “Seca não é destino”, o especialista em questões agrárias alerta que os Estados sulinos não podem incorrer no mesmo erro dos integrantes da Região Nordeste, habituados por décadas com a ajuda de Brasília. O agravante, no caso, é que essa ajuda, historicamente, pautou-se mais por critérios políticos do que técnicos, dando margem a crônicos desvios como os denunciados agora no âmbito do Ministério da Integração. É por isso que tanto as consequências simultâneas da estiagem prolongada no Estado e em Santa Catarina quanto as das chuvas em diferentes regiões do país devem ser atribuídas mais a problemas gerenciais do que simplesmente a imposições climáticas.

Certamente, o fenômeno atual – percebido pela falta de água tanto para a população quanto para a safra de grãos e para a pecuária – se deve à ausência de chuvas provocada pelo fenômeno La Niña. Assim como em 2005, porém, quando foram registrados prejuízos bilionários que amea- çam se repetir agora, faltaram medidas preventivas, capazes de evitar ou pelo menos atenuar a repetição do drama. A justificativa de sempre é a escassez de verba orçamentária, tanto em âmbito federal quanto estadual. As consequências de problemas cíclicos como a atual escassez de água, porém, devem ser explicadas mais pelo mau gerenciamento das medidas de prevenção do que pela falta de recursos financeiros.

O fato de ser aplicado muito menos do que o necessário nesta área pode ser comprovado pelas dotações orçamentárias a cada ano mais tímidas para irrigação, por exemplo, mesmo depois da última seca. Por mais que os governantes aleguem investir na construção de barragens, açudes e poços artesianos, ainda há muito a fazer nesta área. Objetivamente, o Estado avançou pouco em obras para armazenamento e abastecimento de água e enfrenta dificuldades para tornar real o seu Plano Estadual de Recursos Hídricos. Por isso, o andamento dessas providências deveria ser acelerado, para que não voltem a ser lembradas apenas no próximo episódio.

Assim como as chuvas, secas como a atual não se constituem em desafio apenas para os governos federal e estadual, mas também para as comunidades e os prefeitos que as representam. As alternativas, portanto, precisam ser buscadas sempre de forma conjunta e permanente, de preferência voltadas para a prevenção. É o modo mais eficaz de evitar contratempos para o cidadão e prejuízos ao agronegócio e à economia de maneira geral, com repercussões importantes sobre o consumo, o emprego e a arrecadação.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

SECA - O RIO GRANDE ARDE


Plano contra a seca chega a Dilma. Enquanto falta de chuva é tema de reunião em Brasília, no RS o governador em exercício assina decreto coletivo de emergência - ZERO HORA 09/01/2012

A seca que castiga os gaúchos chegou aos gabinetes do governo federal em Brasília. Enquanto o vice-governador, Beto Grill, estiver assinando o decreto de situação de emergência coletiva no Estado na manhã de hoje, ministros reúnem-se na capital federal para definir recursos federais a serem liberados para socorrer cidades gaúchas e catarinenses atingidas pela falta de chuva. O encontro terá a participação da presidente Dilma Rousseff.

Estarão na reunião no Palácio do Planalto representantes dos ministérios da Fazenda, da Integração Nacional, da Agricultura, da Casa Civil e do Desenvolvimento Agrário, além do Banco do Brasil. Os ministros da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), Paulo Sérgio Passos (Transporte), Alexandre Padilha (Saúde) e Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia), além de Humberto Viana, secretário Nacional da Defesa Civil se encontraram no início da noite de ontem para alinhavar o que seria discutido na reunião desta manhã, que vai tratar principalmente das enchentes no sudeste do país.

– O governo federal vai anunciar em seguida, não sei se amanhã (hoje) ou depois, sua parcela de colaboração no combate à seca – adiantou o vice-governador Beto Grill.

Durante a semana, representantes das pastas fizeram balanços diários sobre os estragos da chuvas no Sudeste, as providências adotadas e as que ainda são necessárias. Grupos móveis com representantes do governo foram instalados no Rio, Minas e Espírito Santo para acompanhar de perto os problemas enfrentados pela população. No encontro de ontem, já se decidiu que estes postos móveis deverão continuar em funcionamento até março, período em que se prevê uma redução no volume das chuvas.

Contraste gaúcho às enchentes no sudeste

Em contraste ao excesso de chuva no sudeste brasileiro, cidades gaúchas e catarinenses convivem com cenários de solo gretado, lavouras torrificadas e gado berrando de sede diante de açudes esvaziados. Municípios como Agudo, Nova Palma, Faxinal do Soturno, Dona Francisca, Ivorá e arredores acumulam prejuízos na agricultura.

Em Agudo, os agricultores se afligem com a exasperação. Na localidade de Nova Boêmia, os urubus passaram a sobrevoar a propriedade de Bertílio Martinazzo, 62 anos. Motivo: querem se banquetear com a carniça das carpas mortas à beira do lago.

– Elas começam a boiar na água e, daqui a pouco, estão mortas – espanta-se o produtor.

De manhã cedo, a mulher de Bertílio, Romilda, 58 anos, trata as carpas com milho debulhado e farelo de pão. Recolhe as que já morreram por asfixia, para evitar que o resto de água barrenta fique ainda mais putrefata.

– A carpa é muito resistente, mas a água ficou rasa e esquentou – esclarece Bertílio.

Vizinhos contam suas perdas. A lavoura de milho de Adilson Sieber, 38 anos, em Nova Boêmia, está queimada da raiz até o meio da planta. A parte superior, onde fica o pendão e a espiga, continua esverdeada, mas não aguentará.

– Não se recupera mais, pode até chover – lamenta Adilson, que colherá as espigas murchas e sem grãos para alimentar o gado.

Terra dos hermanos. O problema na Argentina, no Paraguai e no Uruguai:

ARGENTINA - Produtores estão em alerta por causa da seca na Região Central, que ameaça minguar a colheita de grãos e as reservas de gado. A Federação Agrária Argentina (FAA) faz hoje assembleias para pedir um fundo de ajuda extraordinária ao governo.

PARAGUAI - Há temores de perda total da safra primavera-verão, criando dívidas dos produtores com o sistema financeiro. Cultivos como gergelim, algodão, soja, girassol, milho, feijão, amendoim, mandioca e banana foram afetados, relata o jornal ABC Color. No departamento (Estado) de San Pedro, não chove de forma significativa há mais de um mês.

URUGUAI - Até agora não se vê nos jornais muita preocupação com a produção agrícola. A maior inquietação se relaciona ao abastecimento de energia. A seca já fez o país aumentar a importação de energia da Argentina e a operação das usinas térmicas.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

INTERVENÇÃO OPORTUNA


EDITORIAL ZERO HORA 05/01/2012

A decisão da presidente Dilma Rousseff de determinar à ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, uma radiografia na rubrica de verbas para prevenção de enchentes é o mínimo que o país poderia esperar para pôr fim às denúncias de favorecimento político com o uso desses recursos. Ontem, tanto a ministra quanto o responsável pela pasta da Integração, Fernando Bezerra, se empenharam em negar o fato de se tratar de uma intervenção. Uma simples atuação conjunta entre a Casa Civil e o Ministério da Integração nessa área, de qualquer forma, já é suficiente para acenar com a expectativa de maior impessoalidade na alocação de verbas que, além de melhor distribuídas, precisam dar mais ênfase à prevenção.

O inadmissível, por mais que os envolvidos diretamente insistam em tentativas de explicação, é a continuidade de práticas nas quais verbas oficiais já escassas para os objetivos aos quais se propõem são usadas para fins meramente eleitoreiros. Foi o que ocorreu agora, na gestão do ministro da Integração, que não hesitou em favorecer claramente a cidade pernambucana de Petrolina, na qual já exerceu três mandatos como prefeito, e seu Estado natal. Na administração anterior, o ex-ministro Geddel Vieira Lima também já havia recorrido a dinheiro oficial para privilegiar sua base eleitoral na Bahia, o que não tem como ser tolerado.

Verbas governamentais são garantidas pelos impostos pagos pelos contribuintes. Não podem, por isso, se prestar para privilegiar uma ou outra região por razões subjetivas.

No momento em que extensas áreas do país enfrentam simultaneamente os efeitos das cheias e de secas, como as registradas no Sul, é importante haver ainda maior conscientização sobre a necessidade de as verbas serem mais fiscalizadas, de forma permanente. É preciso também que nem a presidente da República, nem os órgãos de fiscalização, de maneira geral, fiquem na dependência da publicação de denúncias para, só então, decidirem agir de forma mais rigorosa.


CRISE NO GOVERNO. PSB reage e cobra apoio a ministro. Criticado por concentrar verbas a Estado natal, Bezerra afirmou que decisão teve aval de Dilma - ZERO HORA 05/01/2012

A reação do governo federal ao direcionamento para Pernambuco de quase 90% das verbas do Ministério da Integração Nacional destinadas à prevenção de desastres naturais gerou uma crise política com o PSB. Presidente do partido e governador, Eduardo Campos (PE) não aceitou a decisão tomada pelo Planalto de intervir nas ações da pasta, comandada pelo ministro Fernando Bezerra Coelho, seu afilhado político, e cobrou apoio a seu aliado.

Para a cúpula do PSB, o movimento do governo fragilizou Bezerra justamente no momento em que a presidente Dilma Rousseff prepara uma reforma ministerial e o coloca na berlinda depois de o governo ter demitido seis ministros por problemas de gestão ou de denúncias.

As queixas e cobranças do comando do partido fizeram com que o governo lançasse mão de pelo menos um gesto público para tentar resolver o mal-estar. A Casa Civil divulgou nota afirmando que não houve intervenção nas ações da Integração Nacional. Ontem, a ministra Gleisi Hoffmann interrompeu as férias para, a pedido de Dilma, monitorar o repasse de verbas.

Bezerra também abreviou as férias, a fim de dar explicações públicas sobre o caso. Sem negar a concentração das verbas para seu Estado natal, foi duro e defendeu os repasses, afirmando que não aceitaria discriminação contra Pernambuco. Ao rechaçar críticas de critério político para a liberação dos recursos antienchentes, o ministro afirmou que o destino das verbas foi definido após “discussão técnica” com equipes do Ministério do Planejamento e da Casa Civil, e com pleno conhecimento da presidente Dilma Rousseff.

– Não existe política partidária, miúda, pequena. Não posso aceitar que se discrimine o Estado de Pernambuco por ser o do ministro – protestou.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A POLÍTICA DO FAVORECIMENTO



EDITORIAL ZERO HORA 04/01/2012

A constatação de que o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, destinou 90% dos gastos de sua pasta com prevenção e preparação a desastres para beneficiar seu Estado natal, Pernambuco, agravada pela possibilidade de que se candidate à prefeitura de Recife ainda este ano, evidencia uma política de apadrinhamento que não pode mais ser tolerada. Não é o primeiro caso: em passado recente, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, ocupando a mesma pasta, também premiou a Bahia com verbas generosas e depois foi disputar o governo daquele Estado. Bezerra foi generoso com Pernambuco, liberando R$ 34,2 milhões no ano passado, enquanto seu ministério teve um desempenho pífio na prevenção de desastres naturais, sempre apresentada como uma das prioridades da União depois de tragédias em Santa Catarina, no Rio e em Alagoas.

Bezerra adota um comportamento que, apesar de sempre condenado, não representa nenhuma novidade. A partilha do poder, que contempla aliados oportunistas, favorece atitudes como essa. É assim que políticos utilizam cargos de primeiro escalão apenas como trampolim para outros projetos. O ministro que almeja ser prefeito reduz suas ações a movimentos paroquiais e recorre às verbas públicas para antecipar o marketing da sua campanha. Os recursos destinados à prevenção de tragédias provocadas por cheias e enxurradas deveriam ter maior controle do governo, para que se evitassem manobras eleitoreiras.

O balanço das dotações que favorecem Pernambuco é vergonhoso, quando se apura o que o ministério fez para atenuar os efeitos de desastres naturais. Bezerra apenas mantém e amplia a inoperância nessa área.

Um programa específico, anunciado como capaz de se antecipar e monitorar eventos climáticos, deixou de investir mais de R$ 2 bilhões entre 2004 e 2011. Esse valor equivale à diferença entre o que foi orçado e o que de fato foi aplicado no período. De cada R$ 4 previstos em orçamento, apenas R$ 1 foi aplicado. No ano passado, a situação foi a pior dos últimos três anos, com a mais baixa destinação de verbas à prevenção.

Nos últimos sete anos, de cada R$ 10 gastos com desastres naturais, R$ 9 foram para atacar os efeitos e apenas R$ 1 foi para medidas preventivas.

A desculpa do ministério é de que Estados e municípios não apresentam projetos que os habilitem a receber o dinheiro. Pernambuco, a unidade de origem do ministro, é estranhamente apresentado como exceção. Por casualidades como essa, o ex-ministro dos Transportes, que anos atrás gerenciava a construção de 60 novos portos para o país, decidiu que 49 seriam no Amazonas, seu Estado. Orlando Silva, ex-ministro do Esporte, deixou a pasta sob evidências de que, além de ser conivente com a cobrança de propinas, privilegiava prefeituras administradas por seu partido, o PC do B, na distribuição de recursos. Todos atuavam com desenvoltura por falta de controles. Se não temos homens públicos íntegros para entender que o cargo pertence ao país, e não a seus currais eleitorais, precisamos de órgãos fiscalizadores que funcionem e que impeçam o uso do recurso de todos em benefício próprio ou de apadrinhados.

COMENTÁRIO DO BENGOCHEA - Enquanto o povo e a justiça tolerarem o uso indevido do uso do dinheiro público, os governantes continuarão empregando estas verbas em benefício próprio visando interesse eleitoral e manutenção de poder. Esta virando costume uma imoralidade que tem a conivência da nação e dos instrumentos de controle.

ENXURRADA EM MINAS

ÁGUAS DA DESTRUIÇÃO. Chuva volta a assustar Minas. Mau tempo dos últimos dias já deixa quatro mortos e faz com que 53 municípios decretem situação de emergência - ZERO HORA 04/01/2012

A força das chuvas nos primeiros dias de 2012 trouxe de volta ao Sudeste o fantasma das tragédias da enxurrada. Em Minas Gerais, 53 municípios estavam em situação de emergência até ontem à noite, com quatro pessoas mortas e uma desaparecida. Nova Friburgo (RJ), castigada por enchentes no início de 2011, teve fechada a rodovia que liga a cidade ao Rio por conta de um deslizamento.

Os primeiros dias do ano reviveram, nos dois Estados, dramas comuns nos verões. Na madrugada de ontem, a Rodoviária Municipal de Ouro Preto (MG) foi atingida por um deslizamento de terra e parte da estrutura desabou. Dois taxistas foram soterrados – um deles foi encontrado morto e, até ontem à noite, o outro seguia desaparecido. Em Belo Horizonte, um homem havia morrido soterrado na segunda-feira, quando um prédio desabou.

Até ontem à noite, havia 9.365 desalojados e 404 desabrigados em Minas Gerais. Pela manhã, um deslizamento na rodovia Belo Horizonte-Ouro Preto (BR-356) interrompeu a ligação entre a capital mineira e a cidade histórica. A chuva deve seguir até sexta-feira.

Em Nova Friburgo, o estado de alerta máximo foi reduzido ontem, com a perspectiva de tempo bom para os próximos dias. O governador do Rio, Sérgio Cabral, visitou a cidade, que teve 428 mortos nos temporais do ano passado, e foi cobrado pela falta de investimentos. Dos R$ 209 milhões prometidos após as chuvas de janeiro de 2011, nenhum real foi gasto. O governo fluminense alega não ter recebido recursos da União, e prometeu iniciar obras na região até a semana que vem.

A prefeitura da cidade também não gastou os R$ 3,7 milhões em doações recebidos em 2011. Ainda há, parados no caixa da prefeitura, R$ 2,4 milhões que poderiam ter sido usados, por exemplo, para construir as casas populares prometidas na época.

ESTIAGEM NO RS E OESTE CATARINENSE

ALTA DE CHUVA. Estiagem avança no RS e no oeste catarinense. Pelo menos 39 municípios gaúchos decretaram situação de emergência - ZERO HORA 04/01/2012

O Rio Grande do Sul teve ontem uma tarde com condições meteorológicas comparáveis às de desertos. O ar seco fez com que a umidade relativa do ar atingisse 14% em Santa Rosa, no Noroeste, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Em desertos, o índice fica abaixo de 10%. Pelo menos 39 municípios estão em emergência.

A previsão é de que a baixa umidade continue atingindo a faixa que vai da Região Central à Fronteira Oeste hoje e nos próximos dias. Além de Santa Rosa, outras cidades gaúchas tiveram uma tarde quase desértica ontem. Em Cruz Alta e Santo Augusto, no Noroeste, o índice ficou em 17%. Em Lagoa Vermelha, no Norte, o percentual chegou a 18%.

Segundo Estael Sias, da Central de Meteorologia, normalmente a média da umidade relativa do ar fica entre 45% e 60% no Estado nesta época do ano. Ainda que não seja possível apontar o La Niña como responsável direto pela baixa umidade, a falta de chuva causada pelo fenômeno contribui para os índices. O pico de calor é esperado para o início da semana que vem, com temperatura perto de 40ºC.

Conforme a Defesa Civil, passa de 235 mil o número de gaúchos prejudicados pela falta de chuva.

Em São Leopoldo, no Vale do Sinos, o racionamento de água será mantido, mas com redução do tempo de desabastecimento de oito para cinco horas diárias. A decisão foi tomada em razão da rápida diminuição do nível do Rio dos Sinos depois das chuvas do final de semana. Novo Hamburgo suspendeu o racionamento na segunda-feira.

Caminhões-pipa abastecem parte de Chapecó, em Santa Catarina

Em Santa Catarina, o problema se repete, e pelo menos 37 cidades decretaram situação de emergência. Em Chapecó, os aposentados João e Ernesta Foletto, moradores da linha Marcon, convivem com a falta de água há quase um mês.

– Estamos economizando o que dá – afirma João, 78 anos.

O poço da casa baixou cerca de dois metros. Restou cerca de meio metro, volume que some ao ligar a bomba que leva água ao reservatório da casa.

Um açude que abastecia 20 bovinos também secou. Eles são obrigados a encontrar água em poças de um riacho. Para os porcos e galinhas, João leva água de balde. O município já está abastecendo cerca de cem famílias com caminhões-pipa.