OPINIÃO E NOTÍCIA 28/01/2013
Financial Times: ‘É difícil legislar contra idiotas’
Jornal inglês faz duras críticas a músico que provocou incêndio em boate no Rio Grande do Sul e diz que Brasil precisa usar idiotice alheia para fazer progresso
por Jonathan Wheatley
O horrível incêndio na casa noturna do Sul do Brasil no fim de semana vai, como Samantha Pearson escreveu na segunda-feira, aumentar o escrutínio sobre o Brasil. Para um país escalando a tábua da liga econômica global e que se prepara para mostrar seu progresso na Copa do Mundo e nos Jogos Olímpicos, a lista de erros e fracassos que levou ao fogo da noite de sábado é o pior tipo de propaganda.
Mas é justo questionar o governo de um país quando um idiota solitário começa um incêndio num palco?
Muitas perguntas estão sendo feitas sobre as origens do incêndio de sábado. A mídia local noticiou, por exemplo, que a casa noturna estava no processo de renovar sua licença de operação e que a licença dos bombeiros tinha expirado em agosto. Mas não dá para apontar o Brasil como único lugar que tem casas noturnas problemáticas.
Além disso, houve notícia de que os seguranças inicialmente impediram que as pessoas escapassem do clube antes de pagar a conta (é uma prática comum para visitantes de bares e clubes no Brasil abrir uma conta para pagar na saída). Mas, seja qual for o tempo que se passou antes que descobrissem o que realmente estava acontecendo, seria difícil esperar que fizessem o contrário.
Outras perguntas são mais difíceis de descartar. Havia apenas uma saída em funcionamento, aparentemente mal sinalizada. (Muitas pessoas morreram presas nos banheiros, ou porque achavam que era a saída ou porque esperavam sair pelas janelas). O teto do clube estava coberto por isolamento acústico que qualquer inspetor dos bombeiros teria identificado como perigosamente inflamável. Um extintor de incêndio entregue a um integrante da banda para lidar com o início do incêndio aparentemente não funcionou.
Os regulamentos básicos, propriamente cumpridos, teriam evitado a tragédia e salvado a vida de 231 jovens. As autoridades, com razão, vão passar por duro escrutínio.
Finalmente, e quanto ao ato que diretamente causou as mortes? Existe confusão sobre o que aconteceu. Alguns relatos mencionam um sinalizador aceso por um integrante da banda; outros mencionam faíscas; outros falam num fogo de artifício colocado no palco que se chama “sputnik”, que solta faíscas coloridas.
O uso de qualquer aparato pirotécnico em espaço público confinado é ilegal no Brasil. E, certamente, qualquer idiota, em qualquer lugar, sabe que isso é incrivelmente estúpido e perigoso?
Não o idiota que o fez em Santa Maria, no sábado. Ele aparentemente disse depois que nunca tinha tido problemas no passado.
Falando à Folha de S. Paulo, Valdir Pignatta da Silva, um especialista em segurança contra incêndios da Universidade de São Paulo, disse que esta é uma questão cultural. Os brasileiros, ele disse, não estão alertas sobre a ameaça de incêndios — ao contrário dos ingleses, que relembram incêndios desde o século 17.
A ideia de que os frequentadores de casas noturnas britânicas são protegidos pela memória coletiva do Grande Incêndio de Londres não resiste a uma avaliação. E os brasileiros, tão rápidos em enfatizar e questionar seu papel no mundo, não deveriam se culpar muito pela idiotia de Santa Maria.
O empresário que soltou fogos de artifício durante um show de heavy metal no clube Station, em Rhode Island, nos Estados Unidos, em 2003, causando a morte de 100 pessoas, não se comportou de forma menos idiota.
Existem idiotas em todo o mundo e é difícil legislar contra eles. Até sábado, o Brasil não tinha tido uma tragédia nesta escala em mais de meio século. Se os eventos terríveis do fim-de-semana resultarem em aplicação mais severa das regulamentações, o Brasil terá feito progresso.
*Jornalista Financial Times
Fontes: Financial Times - Brazil club fire: idiocy and progress
Este Blog retratará o descaso com a Defesa Civil no Brasil; a falta de políticas específicas; o sucateamento dos Corpos de Bombeiros; os salários baixos; a legislação ambiental benevolente; a negligência na fiscalização; os desvios de donativos e recursos; os saques; a corrupção; a improbidade; o crime organizado e a inoperância dos instrumentos de prevenção, controle e contenção. Resta o sofrimento das comunidades atingidas, a solidariedade consciente e o heroísmo daqueles que arriscam a vida e suportam salários miseráveis e péssimas condições de trabalho no enfrentamento das calamidades e sinistros que assolam o povo brasileiro.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
BRASIL NÃO TEM LEI NACIONAL DE PREVENÇÃO A INCÊNDIOS
OPINIÃO E NOTÍCIA 29/01/2013
Tragédia em Santa Maria
Brasil não tem lei nacional de prevenção a incêndios. Cada governo é responsável por estabelecer uma lei baseada em normas locais ou previstas pela ABNT ou pela CLT
O incêndio em uma boate na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que causou a morte de centenas de pessoas, vem desencadeando inúmeros debates em relação à falta de prevenção contra incêndios em boates e casas de show por todo o país.
No Brasil, as leis de prevenção e proteção contra incêndios são estaduais, portanto cada governo é responsável por estabelecer uma lei baseada em normas locais ou previstas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ou pela Consolidação das Leis de Trabalho. A concessão de alvarás de funcionamento para casas noturnas é feita atualmente por bombeiros e autoridades locais, baseando-se também em normas estaduais.
A lei vigente no estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, não exige a instalação de dispositivos de extração de fumaça e detector de fumaça nos estabelecimentos.
Lei nacional anti-incêndio?
Após a tragédia em Santa Maria, o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, disse que a Casa deve propor uma lei nacional com normas mínimas para a prevenção de incêndios. Maia afirmou, no entanto, que o incêndio na boate Kiss não parece estar ligado à ausência de uma lei, ressaltando que “há um problema de fiscalização”.
A Câmara dos Deputados vai acompanhar as investigações sobre o incêndio que devem “identificar as falhas e as regras que não forma cumpridas” neste caso específico.
Em entrevista ao portal G1, Gerardo Portela, doutor em Gerenciamento de Riscos da Coppe-URFJ, ressalta que pensar preventivamente em segurança é um problema cultural no Brasil e que “em outros países existe uma cultura de prevenção, uma instrução para ter uma postura diante de uma terremoto, de incêndio. Isso é feito desde a escola”.
BOATE RECEBEU ALVARÁ DE FUNCIONAMENTO
OPINIÃO E JUSTIÇA - 29/01/2013
Tragédia em Santa Maria
Apesar de violar leis anti-incêndio, boate recebeu alvará de funcionamento. Prefeito culpa falta de denúncias pela tragédia e diz que a situação da boate Kiss estava 'totalmente regular'
Dois dias após a tragédia que matou 232 pessoas na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, pouco se fala sobre o papel da prefeitura na fiscalização de casas noturnas.
Apesar de violar a lei municipal de prevenção contra incêndios, a boate recebeu o alvará de funcionamento da prefeitura, válido até novembro de 2012, e o auto de funcionamento do Corpo de Bombeiros.
A boate utilizava espuma como material de isolamento acústico, contrariando a lei municipal que estabelece que é “vedado o emprego de material de fácil combustão e/ou que desprenda gases tóxicos em caso de incêndio em divisórias, revestimento e acabamentos”. A boate também descumpria as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que obrigam casas noturnas a ter alarmes de incêndio, extintores e uma saída de emergência sinalizada.
Mesmo com tantas irregularidades constatadas, Cézar Schirmer, prefeito de Santa Maria, alegou que a situação da boate estava “totalmente regular”. Schirmer justificou a omissão da prefeitura com a falta de denúncias. “A prefeitura omitiu alguma ação, deixou de agir porque houve uma denúncia? Não. Se houvesse denúncia, teríamos agido”, disse o prefeito.
Já o superintendente de fiscalização da prefeitura, Beloyannes de Pietro, reconheceu que a fiscalização de estabelecimentos comerciais na cidade é insuficiente. Segundo Pietro o número de fiscais não é suficiente para vistoriar todos os estabelecimentos do município. A administração pública conta com 12 agentes para fiscalizar cerca de 20 mil estabelecimentos registrados na cidade. “Se tivéssemos mais gente seria melhor. A vistoria mais detalhada é feita na concessão do primeiro alvará. Depois, é só ver se a atividade continua a mesma”, disse Pietro.
Na Argentina, caso semelhante termina em impeachment de prefeito
Em 2004, um incêndio na boate República Cromañón durante um show pirotécnico da banda Callejeros matou 194 pessoas. Após a tragédia, ocorrida em Buenos Aires, novas medidas de segurança foram adotadas e uma série de boates foram interditadas no país.
Além disso, o prefeito de Buenos Aires na época, Aníbal Ibarra, acabou sofrendo impeachment em 2006, acusado de não impôr uma fiscalização de segurança mais rígida.
Fontes: BBC-Países reagiram a incêndios com indenizações e novas regras, Estadão-Boate obteve licença apesar de violar lei anti-incêndio, O Globo-Prefeitura de Santa Maria admite incapacidade para fiscalizar comércio
PLENAS CONDIÇÕES DE FUNCIONAMENTO, AFIRMA ADVOGADO DE UM DOS SÓCIO DA KISS
ZERO HORA ONLINE 30/01/2013 | 13h47
A boate estava em "plenas condições de funcionamento" para a festa, afirma advogado . Jader Marques afirmou que 850 convites foram impressos; segundo os bombeiros, a capacidade do local era de 691 pessoas
Em entrevista coletiva concedida na manhã de hoje, Jader Marques, advogado de Elissandro Spohr, o Kiko, um dos sócios da casa noturna Kiss, afirmou que o estabelecimento estava "em plenas condições" de receber a festa na noite do incêndio que vitimou 235 pessoas.
O advogado fez argumentações debruçadas em alguns tópicos envolvendo a investigação sobre a boate. Reiterou que o Ministério Público esteve no local por diversas vezes, em vistorias.
Marques informou que foram impressos 850 convites para a festa da madrugada de domingo. De acordo com os bombeiros, a capacidade máxima do local era de 691 pessoas.
Confira trechos do pronunciamento de Jades Marques:
CÂMERAS DE SEGURANÇA
"Existe uma troca de e-mails que comprova as reclamações dos donos da boate em relação aos fornecedores das câmeras de segurança. As câmeras estava com defeito. Houve uma tentativa de troca de fornecedores que, no entanto, não funcionou. Este era um dos problemas que vinha ocorrendo há meses. As declarações e essas trocas de e-mail afastam a possibilidade de Kiko, ou algum dos donos, querer esconder as imagens da câmera de segurança. No entanto, o que acontece é o contrário: nós também queremos toda e qualquer imagem, porque entendemos que elas vêm em nosso benefício"
ALVARÁS E DOCUMENTAÇÃO
"A Polícia Civil argumenta que a boate estaria com o alvará de funcionamento vencido. Mas eu trago aqui uma série de documentos, entre licenças, certidões negativas e permissões do CREA para a realização de obras _ que foram muitas _ que são de suma importância, porque um alvará só é concedido quando situações relativas à sinalização interna, lâmpadas e sinalização de emergência, e principalmente e fundamentalmente, em relação às portas, estiverem de acordo. Eu quero dizer que vamos tentar ampliar essa comprovação, mas esse alvará foi concedido com uma porta muito menor do que a existente na data do ocorrido. O alvará tinha validade até agosto de 2012. Esse ponto precisa de destaque: além de a boate ter ampliado o tamanho da porta de entrada por sua própria vontade, Kiko Spohr determinou que seus funcionários seguissem toda e qualquer ordem do poder público."
"Mostraremos que na questão sanitária, ambiental e em relação à perturbação do sossego, todos os pontos foram cumpridos. A concessão desse alvará mostra, inclusive, que havia a intenção de posteriormente se construir mais uma porta. Isso tudo não por exigência do poder público, mas para facilitar o trabalho da casa. A casa estava adequada à lei. Se a lei é boa ou não, essa é outra questão. Aqui estão os documentos que mostram que a casa funcionou até agosto com autorização, dentro da lei. Se em agosto o alvará expirou, as condições de funcionamento da casa permaneceram iguais. Foi somente de agosto a outubro que, por um problema meramente documental, a casa ficou descoberta. De outubro em diante, a casa ficou aguardando a vistoria dos bombeiros, que encontrariam a mesma casa que encontraram quando foi emitido o alvará de funcionamento. A boate estava a espera de uma nova vistoria para comprovar que estava nas mesmas condições. Aqui está a nota emitida no dia 19 de outubro, no valor de R$ 250, que mostra o pagamento da taxa e comprovação de vistoria em todos os extintores. Foi feita a revisão e manutenção de todos os equipamentos. Os bombeiros ainda não haviam vistoriado a casa, mas os donos preferiram antecipar a revisão e garantir que todos os equipamentos estivessem em pleno funcionamento."
SUPERLOTAÇÃO
"Está sendo argumentado que poderia haver mais de mil pessoas na casa. Em conversa com o Kiko, ele se referiu a existência de festas boas para a casa, que são quando, do início ao fim, há uma circulação em torno de mil pessoas. Estamos em conversa com a delegacia e com o judiciário para que as pessoas da casa possam ser ouvidas, pois há uma dinâmica muito comum nos estabelecimentos deste gênero: deixar entrar um certo número de pessoas, que permitam um ambiente agradável - o que na avaliação de Kiko fica em torno de 600 a 700 pessoas - e, quando se atinge esse número, as portas são trancadas e novas entradas só são permitidas quando pessoas deixam o local. Se não tiverem sido atingidos pelo fogo, há cadernos de controle do público. Para essa festa, foram impressos 850 convites. Para comprovar isso, levaremos ao conhecimento das autoridades o arquivo da empresa de publicidade responsável. No total, 700 convites foram entregues à representante dos estudantes. O que é tratado entre os alunos e a casa noturna é o seguinte: se o convite antecipado não for vendido até a data determinada, não será vendido na hora da festa. Como uma parte do dinheiro vai para a turma, para arrecadação de fundos para a festa, eles reclamam porque queriam vender mais, na hora. O Kiko sugeriu que fossem buscadas as imagens das câmeras de segurança do estacionamento do supermercado que fica em frente à casa noturna. É necessário que a polícia solicite estas imagens, porque, se pegar desde o momento em que abriu a casa e acompanhar a movimentação da entrada, é certa a comprovação de que não havia mais de 650 pessoas na casa. Kiko afirmou que esta havia sido uma noite razoavelmente fraca."
FISCALIZAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO
"Houve uma fiscalização feita pelo Ministério Público. E ela não foi simples, foi um termo de ajustamento volumoso. Para que houvesse a prevenção de ruído, um promotor de justiça fez uma averiguação completa da casa. E, embora Kiko já tivesse feito, por conta própria, visita a todos os vizinhos solicitando que avisassem em casos de transtornos ou oferecendo troca de vidros por outros antirruído, ainda assim houve problema. Com isso, o que eu quero dizer é que o Ministério Publico esteve no local, fotografou, e determinou a obra antirruído. Após concluída, voltou à boate e fotografou mais uma vez. O Ministério Público entrou e saiu da casa diversas vezes. Se hoje nós verificamos um cenário de que a casa não dava conta, é preciso que se saiba que tudo foi fiscalizado e aprovado pelo MP. E toda as alterações que foram determinadas foram realizadas. Porque essa era a política da casa. Se qualquer órgão determinasse qualquer tipo de obra de adequação, a casa estava disposta a realizá-la."
A boate estava em "plenas condições de funcionamento" para a festa, afirma advogado . Jader Marques afirmou que 850 convites foram impressos; segundo os bombeiros, a capacidade do local era de 691 pessoas
Em entrevista coletiva concedida na manhã de hoje, Jader Marques, advogado de Elissandro Spohr, o Kiko, um dos sócios da casa noturna Kiss, afirmou que o estabelecimento estava "em plenas condições" de receber a festa na noite do incêndio que vitimou 235 pessoas.
O advogado fez argumentações debruçadas em alguns tópicos envolvendo a investigação sobre a boate. Reiterou que o Ministério Público esteve no local por diversas vezes, em vistorias.
Marques informou que foram impressos 850 convites para a festa da madrugada de domingo. De acordo com os bombeiros, a capacidade máxima do local era de 691 pessoas.
Confira trechos do pronunciamento de Jades Marques:
CÂMERAS DE SEGURANÇA
"Existe uma troca de e-mails que comprova as reclamações dos donos da boate em relação aos fornecedores das câmeras de segurança. As câmeras estava com defeito. Houve uma tentativa de troca de fornecedores que, no entanto, não funcionou. Este era um dos problemas que vinha ocorrendo há meses. As declarações e essas trocas de e-mail afastam a possibilidade de Kiko, ou algum dos donos, querer esconder as imagens da câmera de segurança. No entanto, o que acontece é o contrário: nós também queremos toda e qualquer imagem, porque entendemos que elas vêm em nosso benefício"
ALVARÁS E DOCUMENTAÇÃO
"A Polícia Civil argumenta que a boate estaria com o alvará de funcionamento vencido. Mas eu trago aqui uma série de documentos, entre licenças, certidões negativas e permissões do CREA para a realização de obras _ que foram muitas _ que são de suma importância, porque um alvará só é concedido quando situações relativas à sinalização interna, lâmpadas e sinalização de emergência, e principalmente e fundamentalmente, em relação às portas, estiverem de acordo. Eu quero dizer que vamos tentar ampliar essa comprovação, mas esse alvará foi concedido com uma porta muito menor do que a existente na data do ocorrido. O alvará tinha validade até agosto de 2012. Esse ponto precisa de destaque: além de a boate ter ampliado o tamanho da porta de entrada por sua própria vontade, Kiko Spohr determinou que seus funcionários seguissem toda e qualquer ordem do poder público."
"Mostraremos que na questão sanitária, ambiental e em relação à perturbação do sossego, todos os pontos foram cumpridos. A concessão desse alvará mostra, inclusive, que havia a intenção de posteriormente se construir mais uma porta. Isso tudo não por exigência do poder público, mas para facilitar o trabalho da casa. A casa estava adequada à lei. Se a lei é boa ou não, essa é outra questão. Aqui estão os documentos que mostram que a casa funcionou até agosto com autorização, dentro da lei. Se em agosto o alvará expirou, as condições de funcionamento da casa permaneceram iguais. Foi somente de agosto a outubro que, por um problema meramente documental, a casa ficou descoberta. De outubro em diante, a casa ficou aguardando a vistoria dos bombeiros, que encontrariam a mesma casa que encontraram quando foi emitido o alvará de funcionamento. A boate estava a espera de uma nova vistoria para comprovar que estava nas mesmas condições. Aqui está a nota emitida no dia 19 de outubro, no valor de R$ 250, que mostra o pagamento da taxa e comprovação de vistoria em todos os extintores. Foi feita a revisão e manutenção de todos os equipamentos. Os bombeiros ainda não haviam vistoriado a casa, mas os donos preferiram antecipar a revisão e garantir que todos os equipamentos estivessem em pleno funcionamento."
SUPERLOTAÇÃO
"Está sendo argumentado que poderia haver mais de mil pessoas na casa. Em conversa com o Kiko, ele se referiu a existência de festas boas para a casa, que são quando, do início ao fim, há uma circulação em torno de mil pessoas. Estamos em conversa com a delegacia e com o judiciário para que as pessoas da casa possam ser ouvidas, pois há uma dinâmica muito comum nos estabelecimentos deste gênero: deixar entrar um certo número de pessoas, que permitam um ambiente agradável - o que na avaliação de Kiko fica em torno de 600 a 700 pessoas - e, quando se atinge esse número, as portas são trancadas e novas entradas só são permitidas quando pessoas deixam o local. Se não tiverem sido atingidos pelo fogo, há cadernos de controle do público. Para essa festa, foram impressos 850 convites. Para comprovar isso, levaremos ao conhecimento das autoridades o arquivo da empresa de publicidade responsável. No total, 700 convites foram entregues à representante dos estudantes. O que é tratado entre os alunos e a casa noturna é o seguinte: se o convite antecipado não for vendido até a data determinada, não será vendido na hora da festa. Como uma parte do dinheiro vai para a turma, para arrecadação de fundos para a festa, eles reclamam porque queriam vender mais, na hora. O Kiko sugeriu que fossem buscadas as imagens das câmeras de segurança do estacionamento do supermercado que fica em frente à casa noturna. É necessário que a polícia solicite estas imagens, porque, se pegar desde o momento em que abriu a casa e acompanhar a movimentação da entrada, é certa a comprovação de que não havia mais de 650 pessoas na casa. Kiko afirmou que esta havia sido uma noite razoavelmente fraca."
FISCALIZAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO
"Houve uma fiscalização feita pelo Ministério Público. E ela não foi simples, foi um termo de ajustamento volumoso. Para que houvesse a prevenção de ruído, um promotor de justiça fez uma averiguação completa da casa. E, embora Kiko já tivesse feito, por conta própria, visita a todos os vizinhos solicitando que avisassem em casos de transtornos ou oferecendo troca de vidros por outros antirruído, ainda assim houve problema. Com isso, o que eu quero dizer é que o Ministério Publico esteve no local, fotografou, e determinou a obra antirruído. Após concluída, voltou à boate e fotografou mais uma vez. O Ministério Público entrou e saiu da casa diversas vezes. Se hoje nós verificamos um cenário de que a casa não dava conta, é preciso que se saiba que tudo foi fiscalizado e aprovado pelo MP. E toda as alterações que foram determinadas foram realizadas. Porque essa era a política da casa. Se qualquer órgão determinasse qualquer tipo de obra de adequação, a casa estava disposta a realizá-la."
PORTO ALEGRE: 6 CASAS NOTURNAS FUNCIONAM COM LIMINAR
ZERO HORA 30/01/2013 | 08h40Atualizada em 30/01/2013 | 09h02
Perigo na noite
Rosane de Oliveira: Dê nome aos bois, prefeito
Seis casas noturnas de Porto Alegre funcionariam por meio de liminar, diz José Fortunati
Preocupante o que disse na noite de terça-feira, no programa TVCOM 20 Horas, o prefeito José Fortunati: existem seis grandes casas noturnas em Porto Alegre funcionando com liminar da Justiça e oferecendo risco de segurança aos frequentadores.
Questionado pelo apresentador Leo Saballa sobre quais eram as casas, disse que não podia dizer o nome para “não causar pânico”.
Pois agora sim o prefeito semeou o pânico: enquanto não divulgar quais são essas casas, todas estarão sob suspeita. Seria mais seguro para os frequentadores a prefeitura mandar fechar todas e fazer uma inspeção rigorosa ou dar nome e endereço das que funcionam amparadas em decisão judicial para que o cliente decida se quer ou não correr o risco.
É oportuno que a prefeitura de Porto Alegre faça uma força tarefa para verificar as condições de segurança das casas noturnas, mas é importante que a população seja informada quando um estabelecimento não passa no crivo dos fiscais e passa a operar graças à decisão de um juiz.
Perigo na noite
Rosane de Oliveira: Dê nome aos bois, prefeito
Seis casas noturnas de Porto Alegre funcionariam por meio de liminar, diz José Fortunati
Preocupante o que disse na noite de terça-feira, no programa TVCOM 20 Horas, o prefeito José Fortunati: existem seis grandes casas noturnas em Porto Alegre funcionando com liminar da Justiça e oferecendo risco de segurança aos frequentadores.
Questionado pelo apresentador Leo Saballa sobre quais eram as casas, disse que não podia dizer o nome para “não causar pânico”.
Pois agora sim o prefeito semeou o pânico: enquanto não divulgar quais são essas casas, todas estarão sob suspeita. Seria mais seguro para os frequentadores a prefeitura mandar fechar todas e fazer uma inspeção rigorosa ou dar nome e endereço das que funcionam amparadas em decisão judicial para que o cliente decida se quer ou não correr o risco.
É oportuno que a prefeitura de Porto Alegre faça uma força tarefa para verificar as condições de segurança das casas noturnas, mas é importante que a população seja informada quando um estabelecimento não passa no crivo dos fiscais e passa a operar graças à decisão de um juiz.
COMANDO DA BM VAI ABRIR INQUÉRITOS
ZERO HORA ONLINE 30/01/2013 | 13h15
Alvo de críticas, comandante da BM minimiza cobranças de Tarso. Coronel Sérgio Roberto de Abreu atribuiu declarações sobre responsabilidades no incêndio na boate de Santa Maria à perplexidade com a tragédia

Coronel Sérgio Roberto de Abreu concedeu entrevista coletiva no quartel general do comando da Brigada Militar Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS
O comandante-geral da Brigada Militar (BM), coronel Sérgio Roberto de Abreu, considera que as declarações feitas ao longo do domingo, horas após a tragédia em Santa Maria que deixou 235 mortos, podem ter sido interpretadas de outra forma pela opinião pública.
Por tentar eximir a BM e o Corpo de Bombeiros de responsabilidades na liberação do alvará de funcionamento da boate Kiss, Abreu foi alvo de duras críticas do governador Tarso Genro na tarde de terça-feira.
— No momento da comoção, certamente uma ou outra declaração parece soar para a comunidade como se fosse uma coisa absurda — disse o comandante em entrevista coletiva nesta manhã.
Abreu salientou a amplitude da tragédia, "algo que nunca tinha visto em 35 anos" de corporação. No entanto, elogiou a rapidez dos bombeiros no atendimento às vítimas, a mobilização e o acolhimento às famílias.
Vencido desde agosto de 2012, o alvará de funcionamento da boate deveria ser renovado após nova inspeção do Corpo de Bombeiros, que não teria sido feita por "questões administrativas", segundo o comandante, pois "depende da demanda" de Planos de Prevenção Contra Incêndios (PPCI):
— O Corpo de Bombeiros fez a inspeção em 2011 e a espuma (do teto) não estava lá. Também não conheço na legislação a obrigatoriedade de portas de emergência em lados opostos, diz apenas que elas têm de ficar o mais afastado possível.
Ainda de acordo com o coronel, depoimentos de testemunhas relatam a presença de cerca de 1,5 mil pessoas no estabelecimento, mais que o dobro da capacidade máxima permitida:
— Se estivessem somente as 691 pessoas da capacidade, em dois minutos elas teriam saído do local.
O comandante dos bombeiros na Capital, tenente-coronel Adriano Krukoski, garantiu a abertura de dois procedimentos internos para investigar possíveis responsabilidades da corporação. Conforme ele, toda a documentação da Kiss já foi enviada para a Polícia Civil.
— Vamos fazer uma investigação técnica para determinar por que esse sinistro ocorreu. E também abrimos um inquérito policial para avaliar se nossos procedimentos foram adotados corretamente — disse Krukoski.
O tenente-coronel afirmou que o Corpo de Bombeiros já trabalha junto com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) para estudar mudanças nas normas de segurança em casas de festas. A corporação busca ainda aumentar o seu poder de polícia para fiscalizar as danceterias.
Alvo de críticas, comandante da BM minimiza cobranças de Tarso. Coronel Sérgio Roberto de Abreu atribuiu declarações sobre responsabilidades no incêndio na boate de Santa Maria à perplexidade com a tragédia
Coronel Sérgio Roberto de Abreu concedeu entrevista coletiva no quartel general do comando da Brigada Militar Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS
O comandante-geral da Brigada Militar (BM), coronel Sérgio Roberto de Abreu, considera que as declarações feitas ao longo do domingo, horas após a tragédia em Santa Maria que deixou 235 mortos, podem ter sido interpretadas de outra forma pela opinião pública.
Por tentar eximir a BM e o Corpo de Bombeiros de responsabilidades na liberação do alvará de funcionamento da boate Kiss, Abreu foi alvo de duras críticas do governador Tarso Genro na tarde de terça-feira.
— No momento da comoção, certamente uma ou outra declaração parece soar para a comunidade como se fosse uma coisa absurda — disse o comandante em entrevista coletiva nesta manhã.
Abreu salientou a amplitude da tragédia, "algo que nunca tinha visto em 35 anos" de corporação. No entanto, elogiou a rapidez dos bombeiros no atendimento às vítimas, a mobilização e o acolhimento às famílias.
Vencido desde agosto de 2012, o alvará de funcionamento da boate deveria ser renovado após nova inspeção do Corpo de Bombeiros, que não teria sido feita por "questões administrativas", segundo o comandante, pois "depende da demanda" de Planos de Prevenção Contra Incêndios (PPCI):
— O Corpo de Bombeiros fez a inspeção em 2011 e a espuma (do teto) não estava lá. Também não conheço na legislação a obrigatoriedade de portas de emergência em lados opostos, diz apenas que elas têm de ficar o mais afastado possível.
Ainda de acordo com o coronel, depoimentos de testemunhas relatam a presença de cerca de 1,5 mil pessoas no estabelecimento, mais que o dobro da capacidade máxima permitida:
— Se estivessem somente as 691 pessoas da capacidade, em dois minutos elas teriam saído do local.
O comandante dos bombeiros na Capital, tenente-coronel Adriano Krukoski, garantiu a abertura de dois procedimentos internos para investigar possíveis responsabilidades da corporação. Conforme ele, toda a documentação da Kiss já foi enviada para a Polícia Civil.
— Vamos fazer uma investigação técnica para determinar por que esse sinistro ocorreu. E também abrimos um inquérito policial para avaliar se nossos procedimentos foram adotados corretamente — disse Krukoski.
O tenente-coronel afirmou que o Corpo de Bombeiros já trabalha junto com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) para estudar mudanças nas normas de segurança em casas de festas. A corporação busca ainda aumentar o seu poder de polícia para fiscalizar as danceterias.
HEROISMO DOS BOMBEIROS
CORREIO DO POVO - 30JAN2013
OPINIÃO Página 2O
Mais uma vez, na tragédia de Santa Maria, os bombeiros mostraram que são verdadeiros heróis que arriscam suas vidas no cotidiano em defesa de seus semelhantes. Estiveram de novo entre os primeiros a chegar e os últimos a sair, atuando de forma corajosa e despojada.
Desde o momento em que foram chamados, juntamente com valentes anônimos que acorreram ao local, não mediram esforços para realizar o salvamento dos jovens que lá estavam, tendo, felizmente, obtido êxito em incontáveis casos. Dessa forma, merecem o permanente reconhecimento da população gaúcha.
Agora, depois do ocorrido, está aberto o período de apuração das responsabilidades dos fatos. Entretanto, é preciso que num momento de dor e de perplexidade, haja bom senso na hora de fazer projeções sobre eventuais culpados, até porque já há uma investigação sendo feita.
A necessidade de dar uma resposta rápida para as famílias e para a sociedade não deve ser sobreposta por ilações desprovidas de maior reflexão.
Com a dor e perplexidade atingindo a comunidade gaúcha, surgiram vozes que, na pressa de encontrar culpados em meio ao luto, buscaram correlacionar o trabalho dos bombeiros com os fatos trágicos. Nada mais distante da realidade. Como se sabe, tudo indica que o Corpo de Bombeiros, segundo nota oficial emitida pelo Comando-Geral da Brigada Militar, realizou as notificações previstas na legislação, tanto que havia um processo em tramitação para renovação do alvará.
Se a legislação é omissa e pródiga, é notório o esforço dos bombeiros para aperfeiçoá-la, subsidiando legisladores e autoridades competentes. Também é de domínio público que os bombeiros são atuantes na visitação de prédios, casas comerciais, condomínios, locais públicos, Sempre sugerindo e determinando melhorias, num trabalho preventivo admirável. Muitos sinistros têm sido evitados por essa atuação efetiva.
Assim, não é cabível que se queira dar pechas indevidas para um órgão de tão relevantes serviços prestados à sociedade gaúcha.
NOTA: matéria indicada via face por Evaldo Júnior
OPINIÃO Página 2O
Mais uma vez, na tragédia de Santa Maria, os bombeiros mostraram que são verdadeiros heróis que arriscam suas vidas no cotidiano em defesa de seus semelhantes. Estiveram de novo entre os primeiros a chegar e os últimos a sair, atuando de forma corajosa e despojada.
Desde o momento em que foram chamados, juntamente com valentes anônimos que acorreram ao local, não mediram esforços para realizar o salvamento dos jovens que lá estavam, tendo, felizmente, obtido êxito em incontáveis casos. Dessa forma, merecem o permanente reconhecimento da população gaúcha.
Agora, depois do ocorrido, está aberto o período de apuração das responsabilidades dos fatos. Entretanto, é preciso que num momento de dor e de perplexidade, haja bom senso na hora de fazer projeções sobre eventuais culpados, até porque já há uma investigação sendo feita.
A necessidade de dar uma resposta rápida para as famílias e para a sociedade não deve ser sobreposta por ilações desprovidas de maior reflexão.
Com a dor e perplexidade atingindo a comunidade gaúcha, surgiram vozes que, na pressa de encontrar culpados em meio ao luto, buscaram correlacionar o trabalho dos bombeiros com os fatos trágicos. Nada mais distante da realidade. Como se sabe, tudo indica que o Corpo de Bombeiros, segundo nota oficial emitida pelo Comando-Geral da Brigada Militar, realizou as notificações previstas na legislação, tanto que havia um processo em tramitação para renovação do alvará.
Se a legislação é omissa e pródiga, é notório o esforço dos bombeiros para aperfeiçoá-la, subsidiando legisladores e autoridades competentes. Também é de domínio público que os bombeiros são atuantes na visitação de prédios, casas comerciais, condomínios, locais públicos, Sempre sugerindo e determinando melhorias, num trabalho preventivo admirável. Muitos sinistros têm sido evitados por essa atuação efetiva.
Assim, não é cabível que se queira dar pechas indevidas para um órgão de tão relevantes serviços prestados à sociedade gaúcha.
NOTA: matéria indicada via face por Evaldo Júnior
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