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quarta-feira, 12 de junho de 2013

OITO PMS SÃO INDICIADOS EM IPM SOBRE INCÊNDIO NA BOATE KISS

CORREIO DO POVO 12/06/2013 11:16

Oito PMs são indiciados em inquérito militar sobre incêndio na boate Kiss. Documento foi entregue hoje ao Comando Geral da Brigada Militar



IPM foi entregue hoje ao Comando Geral da BM
Crédito: André Ávila


O comandante do 4º Comando Regional dos Bombeiros (CRB), tenente-coronel Moisés da Silva Fuchs, e mais sete policiais militares foram indiciados no Inquérito Policial Militar (IPM) que investigou o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria. O oficial encarregado do IPM, coronel Flávio da Silva Lopes, entregou o documento nesta quarta-feira ao comandante-geral da Brigada Militar (BM), coronel Fábio Duarte Fernandes.

Além do comandante do 4º CRB, foram indiciados o capitão Alex da Rocha Camillo, o sargento Renan Severo Berleze, o sargento Roberto Flávio da Silveira e Souza, o sargento Sérgio Roberto Oliveira de Andrades, o soldado Marcos Vinícius Lopes Bastide, o soldado Gilson Martins Dias e o soldado Vagner Guimarães Coelho.

O capitão Camillo, os sargentos Berleze e Andrades e os soldados Bastide, Dias e Coelho foram indiciados pelo artigo 324 do Código Penal Militar, que trata de inobservância de lei, regulamento ou instrução. Eles não teriam observado uma central de gás na boate Kiss, que não poderia existir, além de não cobrarem treinamento dos funcionários em caso de incêndio.

O sargento Souza foi indiciado pelo artigo 299, falsidade ideológica, e pelo artigo 47 da Lei de Contravenções Penais, exercício ilegal da profissão ou atividade. Desde 2008, ele era sócio-majoritário de uma empresa de prevenção de incêndios, o que não é permitido por força do serviço militar. Já pelo artigo 322 do Código Penal Militar, o coronel Fuchs foi indiciado por condecendência criminosa.

Segundo o coronel Lopes, o objetivo do IPM foi apurar falhas na prevenção e proteção contra incêndio e eventuais correlações entre essas falhas e as mortes e as lesões corporais; atuação de bombeiros em atividades privadas de prevenção contra incêndio; e atuação dos bombeiros na ocorrência.

O comandante da BM enfatizou que a corporação esteve presente desde o início da ocorrência: “foram 130 dias, quase 700 oitivas e mais de 7 mil páginas de inquérito”. “Não medimos esforços para esclarecer tudo que envolveu essa tragédia e esperamos dar as devidas respostas, no devido tempo, à sociedade”, destacou o coronel Fernandes.

Um grupo de familiares acompanhou a apresentação do inquérito no auditório do Quartel General (QG) da Brigada Militar, no Centro de Porto Alegre.


A tragédia

O incêndio na boate Kiss – que ficava na Rua dos Andradas, Centro de Santa Maria – começou por volta das 2h30min da madrugada de 27 de janeiro. Dos jovens que participavam de uma festa organizada por estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), 242 morreram em decorrência do fogo.

Segundo testemunhas, o fogo teria começado quando um dos integrantes da banda Gurizada Fandangueira, que acabara de subir ao palco, lançou um sinalizador. O objeto teria encostado na forração da casa noturna. As pessoas não teriam percebido o fogo de imediato, mas assim que o incêndio se espalhou, a correria teve início. Conforme relatos, os extintores posicionados na frente do palco não funcionaram.

Em pânico, muitos não conseguiram encontrar a única porta de saída do local e correram para os banheiros. Aqueles que conseguiram fugir em direção à saída, ficaram presos nos corrimãos usados para organizar as filas. A boate foi tomada por uma fumaça preta e as pessoas não conseguiam enxergar nada. A maioria morreu asfixiada dentro dos banheiros ou na parte dos fundos da boate.


Fonte: Correio do Povo e Rádio Guaíba

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