Este Blog retratará o descaso com a Defesa Civil no Brasil; a falta de políticas específicas; o sucateamento dos Corpos de Bombeiros; os salários baixos; a legislação ambiental benevolente; a negligência na fiscalização; os desvios de donativos e recursos; os saques; a corrupção; a improbidade; o crime organizado e a inoperância dos instrumentos de prevenção, controle e contenção. Resta o sofrimento das comunidades atingidas, a solidariedade consciente e o heroísmo daqueles que arriscam a vida e suportam salários miseráveis e péssimas condições de trabalho no enfrentamento das calamidades e sinistros que assolam o povo brasileiro.

terça-feira, 12 de março de 2013

CASO KISS: MAIS DE MIL PESSOAS NA DANCETERIA

ZERO HORA 12 de março de 2013 | N° 17369

SANTA MARIA

Segundo delegado, havia mais de mil pessoas na danceteria

Na noite em que se incendiou, a boate Kiss recebeu muito mais clientes do que a capacidade legal para a qual estava licenciada, de 691 pessoas. É o que concluiu a Polícia Civil, após um mês e meio de investigações da tragédia que enlutou o Brasil. Os policiais já sabem que mais de mil frequentadores passaram pela danceteria em 27 de janeiro, quando o estabelecimento pegou fogo, matando 241 pessoas. Segundo o delegado Marcos Vianna, um dos cinco que trabalham no caso, pelo menos 1.061 pessoas passaram pela danceteria naquela noite. Menos de 50 teriam saído antes da tragédia.

A soma foi obtida a partir dos nomes dos 241 mortos, das 420 pessoas que depuseram sobre o episódio – mas que não estavam feridas – e dos 400 feridos que foram atendidos em estabelecimentos de saúde de todo a região de Santa Maria e Porto Alegre, por ocasião do incêndio. Os números e os nomes das pessoas que estiveram em atendimento foram repassados pela Secretaria Estadual de Saúde.

Todos os nomes de mortos, feridos e testemunhas foram analisados e triados, para que a lista não incluísse repetições, ressalta Vianna.

– Checamos os nomes exaustivamente. Além dos 170 feridos graves, outras pessoas foram atendidas em postos de saúde, centenas a mais – comenta o delegado.

O alvará de licenciamento só admitia 691 frequentadores.

Capacidade da Kiss era de 691 pessoas

O alvará de licenciamento só admitia 691 frequentadores. Os proprietários da Kiss têm alegado à Polícia Civil que não permitiam lotação acima de 691 e que, quando essa quantidade era alcançada, os porteiros eram orientados a não admitir mais frequentadores no recinto.

Em depoimentos, Elissandro Spohr, o Kiko, um dos sócios, afirmou que no dia da tragédia havia entre 600 a 700 pessoas na Kiss. Já Mauro Hoffmann, o Maurinho, outro sócio da boate, disse que a capacidade era de 900, mas já ingressaram cerca de mil pessoas no estabelecimento. Eles permanecem presos.

O delegado Vianna dispõe, ainda, do depoimento de um funcionário que confirma a superlotação no momento da tragédia:

– Um segurança encarregado de pegar as comandas na hora da saída informou que menos de 50 pessoas das 1.061 que entraram tinham saído até o momento do incêndio.

A superlotação é mais um dos itens que ajudarão no indiciamento dos proprietários da boate por homicídio doloso qualificado.

HUMBERTO TREZZI

Peritos usam vídeo gravado por vítima
Um vídeo de 28 segundos gravado por um jovem que morreu no incêndio da boate Kiss é uma das fontes de informação no laudo do Departamento de Criminalística (DC) sobre as circunstâncias da tragédia.

A imagem mostra, entre outras coisas, a tentativa de um integrante da banda Gurizada Fandangueira apagar o fogo com um extintor que não funcionou. A gravação ajudou a confirmar o exato local em que ocorreu o foco do incêndio. O laudo do DC, que tem mais de uma centena de páginas, já está pronto.

Cinco peritos da ativa e um aposentado trabalharam na perícia que destoa do que é a regra em apurações de incêndios. O normal é que laudos de locais de incêndio se concentrem em tentar revelar a causa do fogo e onde foi o foco. No caso da Kiss, o laudo é muito mais aprofundado, porque trata de uma série de circunstâncias que poderiam ter permitido que mais pessoas se salvassem. O documento vai responder porque tanta gente morreu se o fogo não destruiu todo o prédio, por exemplo.

Um detalhe existente no cenário da boate ganhou importância sob o olhar do peritos: as grades instaladas para orientar filas. Quem teve contato com o trabalho o considera de alta complexidade pelo fato de existirem no caso da boate “tantas coisas erradas que se somaram”. A previsão é de que o laudo seja entregue à Polícia Civil até sexta-feira.

ADRIANA IRION

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